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Correio Braziliense

Bolsonaro diz que não discutirá mensagens apagadas pelo Twitter

Publicações feitas no domingo mostravam o chefe do Executivo visitando o comércio na região central de Taguatinga e de Sobradinho


postado em 30/03/2020 11:54

(foto: eprodução/Twitter)
(foto: eprodução/Twitter)
O presidente Jair Bolsonaro decidiu não se pronunciar a respeito das duas publicações que foram apagadas, nesse domingo (29/3), da conta pessoal do Twitter. Nesta segunda-feira (30/3), perguntado sobre o assunto, o chefe do Executivo se limitou a dizer que não falaria sobre a questão. “Não vou discutir, é uma empresa particular”, apontou, na saída do Palácio da Alvorada.

 

Publicações feitas no domingo mostravam o chefe do Executivo visitando o comércio na região central de Taguatinga e de Sobradinho. Segundo a empresa, o tuíte do presidente foi excluído por violar as políticas do site. Nas últimas semanas, o Twitter vem retirando do ar mensagens com notícias falsas sobre a pandemia de coronavírus e removendo publicações que incentivam ações que podem potencializar a infecção, como sair às ruas. Nas imagens excluídas, Bolsonaro cumprimentava apoiadores, ouvia pedidos para que o comércio reabra e juntava pequenas aglomerações de pessoas durante o passeio.

 

Bolsonaro ainda reclamou das críticas que recebeu. “Fui ontem em Ceilândia e Taguatinga. Folha de S. Paulo, não fui passear não. Uma imprensa que não tem caráter não podia agir de outra maneira. Não fui passear não. Fui ver o povo. Vocês [imprensa] estão todos amontoados aqui também. Vocês estão aqui porque precisam trabalhar, sim. Para levar informação, a imprensa sadia. Mas também, se vocês não vierem trabalhar, não vai ter salário. Aqueles 38 milhões que estão na informalidade, grande parte já perderam os seus empregos e não tem mais o que levar para casa. Quem me acompanhou e não traiu a sua responsabilidade jornalística de transmitir a verdade, viu. Uma senhora que tem nove dependentes em casa, não tem mais nada o que levar para os seus filhos e netos. Nada. Zerou. E assim são milhões de pessoas no Brasil”, afirmou.

 

E emendou: “Parece que o problema é o presidente. É que o presidente tem responsabilidade, tem que decidir. Não é apenas a questão de vidas. É a questão da economia também. É a questão do emprego. Se o emprego continuar a ser destruído da forma como está sendo, mortes virão, outras por outros motivos. Depressão, suicídio, questões psiquiátricas. Um pai que chega em casa ou que está em casa e o filho pede um prato de comida e ele não tem, ele que tem vergonha na cara, ele começa a se sentir responsável pelo que está acontecendo e vai à luta”.

 

"Se o Bolsonaro sair?"

 

Bolsonaro disse ainda que virou alvo em meio à pandemia. “Essa responsabilidade que não temos ainda perante ou por parte de entidades e pessoas importantes do Brasil. Atiram numa pessoa só. O alvo sou eu. Se o Bolsonaro sair e entrar o Haddad, um outro qualquer, está resolvido o problema? Essa realidade tem que ser mudada. O pânico é uma doença e está levando o pessoal ao estresse”, alegou.

 

Ainda no domingo, Bolsonaro que estava com vontade de assinar um decreto para liberar a volta de todas as atividades. Questionado hoje sobre o assunto, se iria assinar a medida, Bolsonaro disse "que estava pensando nele”. O presidente disse ainda que caso o Brasil continue com comércios fechados, se abaterá uma ‘desgraça’ no país e que a esquerda poderá se ‘aproveitar’ do caos para ‘tomar o poder’.

 

“Eu tenho o meu salário, não está em discussão isso daí. Abri mão de tudo que eu tinha, desde quando assumi o governo em janeiro do ano passado. Está em jogo a minha posição social também a minha posição pessoal, mas se o Brasil continuar a ter seus empregos destruídos, vocês vão ver a desgraça que vai se abater sobre o país. E repetindo, o caos, a fome e a miséria não recebem conselho de ninguém. A desgraça estará implantada no Brasil e os oportunistas de sempre, basta ver o que aconteceu na Venezuela, em outros países no passado, poderão chegar ao poder e nunca mais sair”, concluiu.

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