Politica

Caiado evita críticas a Bolsonaro, mas defende distanciamento

"Ele que deve explicar essa situação", disse governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao ser questionado sobre postura do presidente em relação à aglomerações

Sarah Teófilo
postado em 11/04/2020 14:34
Bolsonaro abraça Caiado. Os dois estão de máscara. Ao redor, várias pessoasAcompanhando a visita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao hospital de campanha de Águas Lindas (GO), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), evitou críticas à postura do chefe do Executivo federal frente à pandemia do novo coronavírus.
Após o evento, fechado à imprensa, na obra do hospital de campanha de Águas Lindas, Bolsonaro se aproximou de aglomerações que se formaram em frente ao local e tocou em algumas pessoas. "Ele que deve explicar essa situação. A minha posição vocês acompanharam", disse Caiado ao ser questionado sobre situação.
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Nas últimas semanas, o governador tem ressaltado a importância de se manter o isolamento para evitar o aumento de casos de coronavírus. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, também estava presente no local e foi embora com Caiado. Ambos estão reunidos em Goiânia, na residência oficial do governador. Sobre o fato de muitas pessoas terem se aglomerado em torno da obra para ver Bolsonaro, Mandetta disse que o que pode é recomendar. "Não posso viver a vida das pessoas. As pessoas que fazem atitude dessa hoje daqui a pouco vão ser as mesmas que vão estar lamentando", disse. Questionado se a orientação valia também para o presidente, o ministro disse que "vale para todos os brasileiros".

No mês passado, depois de o presidente chamar a Covid-19 de "gripezinha" em pronunciamento e criticar governadores por medidas restritivas, Caiado sinalizou para um rompimento com o presidente. Na ocasião, disse que sempre foi aliado, mas não iria admitir falas de Bolsonaro, e frisou a importância do isolamento social para evitar o aumento de pessoas contaminadas. Questionado se o primeiro hospital de campanha do governo federal ser em Goiás era um sinal de paz entre os dois, Caiado evitou falar do lado político da situação. O governador frisou a situação da região, dizendo que são 1,2 milhão de habitantes sem hospital, vivendo próximo de Brasília, e muitos trabalhando na capidal federal, onde há alta incidência de coronavírus.

[SAIBAMAIS]"A função minha como médico e como governador e vir aqui agradecer um hospital de campanha com 200 leitos. Será possível que numa hora dessa, onde nos estamos tendo que ter gestos humanitários... A discussão minha é aquilo que você me viu manter. Aqui o meu decreto é de isolamento e está sendo mantido até dia 19. O que estamos fazendo aqui não é esse primarismo de ficou de ;bem; ou de ;mal;. Tem que ter uma análise mais profunda diante das pessoas que podem morrer na região. Nós já temos oito mortos, afirmou.

Sobre a atitude de Bolsonaro, frente a orientações do próprio Ministério da Saúde de que sejam evitadas aglomerações, Caiado disse que responde por seus atos. "Você me viu indo a algum local? Eu respondo por aquilo como médico e governador que sou. A situação do presidnete cabe a ele", afirmou, pontuando ainda que não está "na posição de juiz". "Estou aqui na posição de um governantes e tenho que dar o bom exemplo", ressaltou.

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