Politica

Evangélico, André Mendonça não fará sombra a Jair Bolsonaro

Com larga experiência na Advocacia Geral da União, jurista não conhecia o presidente Jair Bolsonaro até o momento em que ele foi eleito

Renato Souza
postado em 28/04/2020 13:01
André Luiz MendonçaReservado, técnico e sonhador. Esse é o perfil do novo ministro da Justiça, André Mendonça, que deixa, a partir de agora, uma experiência de 20 anos na Advocacia-Geral da União para desempenhar atividades antes exercidas pelo ex-ministro Sergio Moro. Pastor evangélico de uma igreja em Brasília, Mendonça tenta desempenhar suas funções sem colocar os versículos da Bíblia acima dos artigos da Constituição.

Integrante do governo com forte aceitação entre as alas militares e civis, ele encontra alguma resistência entre apoiadores ideológicos e no eleitorado por defender pautas ideológicas usando exclusivamente critérios técnicos. Aos 47 anos, Mendonça se alinha ao pensamento do presidente em várias pautas, mas defende um tom mais sereno para tratar as políticas públicas e as relações com o Congresso.

Ele não conhecia pessoalmente o presidente até o momento em que o chefe do Executivo foi eleito. Bolsonaro recebeu indicações e chegou até Mendonça. Apresentado ao currículo do jurista, ele gostou e ganhou confiança ao saber que se tratava de um pastor.

Na eleição, Mendonça não se envolveu em campanhas políticas e não chegou a defender nem mesmo a eleição de Bolsonaro. Mas ao Correio, em fevereiro, elogiou a história de vida de Marina Silva, por quem diz ter admiração.

"Estive duas vezes com a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva em eventos religiosos. Eu a considero uma irmã em Cristo, evangélica, assim como eu. E tenho um respeito pela pessoa dela. Tem que se respeitar uma pessoa que saiu de um seringal e construiu a vida como ela construiu, independentemente de opinião política", disse.

Igreja

Ele é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, vertente que se distancia levemente do conservadorismo das demais denominações evangélicas.

[SAIBAMAIS]A instituição, que se reúne de forma improvisada na casa de fieis e em uma escola pública de Brasília, prefere ficar longe de assuntos políticos ou de polêmicas do dia a dia.

Ao ser nomeado, Mendonça agradeceu o presidente Bolsonaro e disse que vai continuar seu "trabalho técnico". Ele encerrou a mensagem com um "Deus nos abençoe".

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação