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Homem que agrediu enfermeiras trabalhava no Ministério de Direitos Humanos

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, ele foi demitido na última segunda-feira (4), três dias depois de ter hostilizado e agredido verbalmente servidores da Saúde em Brasília

Sarah Teófilo
postado em 05/05/2020 14:39
Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, ele foi demitido na última segunda-feira (4), três dias depois de ter hostilizado e agredido verbalmente servidores da Saúde em BrasíliaO homem que hostilizou e agrediu verbalmente enfermeiras que estavam em um protesto silencioso na Praça dos Três Poderes, em Brasília, na última sexta-feira (1;/5) foi identificado como Renan da Silva Sena. Ele era, até a última segunda-feira (4), funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

O homem foi contratado no dia 5 de fevereiro como prestador de serviços terceirizado após processo seletivo realizado pela empresa G4F Soluções Corporativas Ltda. Ele trabalhava como assistente técnico administrativo na Coordenação-Geral de Assuntos Socioeducativos. Segundo MMFDH, a empresa seleciona os profissionais com base nos critérios técnicos definidos pela pasta.

Sena cumpriu suas tarefas até o dia 7 de abril, segundo o ministério. Depois desta data, a pasta alega que ele ficou de trabalho remoto, devido à pandemia do novo coronavírus, e parou de responder todas as tentativas de contatos telefônicos e via e-mails. O órgão do governo federal garante ter informado à empresa sobre a ausência do funcionário, e que a empresa conseguiu contato no dia 23 de abril.

Naquele dia, o MMFDH afirma ter solicitado a substituição de Sena. Entretanto, o ato só aconteceu três dias depois de o homem ter hostilizado as enfermeiras que faziam um protesto silencioso. O ministério alega que a empresa deu entrada aos trâmites legais necessários em abril, mas só foi concluído no dia 4 de maio. Segundo a pasta, o substituto já começou a trabalhar. A reportagem solicitou os documentos que comprovam os pedidos feitos pelo ministério à empresa e aguarda retorno.
É possível ver em um vídeo que Sena chega muito perto de uma das enfermeiras, e tenta afastar uma delas. "Eu tenho peso. Você tá me ouvindo? Sua analfabeta medíocre", grita. Uma das pessoas que estavam com ele interviu para contê-lo. Em outras imagens, ele se aproxima de uma pessoa que está filmando chamando os enfermeiros de "bando de anafalbeto funcionais" e a gritar. Em um momento, diz: "Não precisa ficar com medo não".

O Correio tentou contato com Renan em um telefone que consta em uma das suas redes sociais, mas o telefone está fora de área ou desligado.

A reportagem também entrou em contato com a empresa G4F Soluções Corporativas Ltda. A empresa informou em nota que Renan estava em período de experiência e confirmou as informações repassadas pelo ministério: que a pasta, no dia 23, pediu o desligamento do funcionário. Sobre o fato de a demissão ter acontecido só no dia 4 deste mês, a empresa justificou que isso se deu para atender a legislação. "Em atenção à legislação trabalhista, o procedimento adotado foi o de descontar os dias não trabalhados e encerrar o contrato ao final do prazo de experiência, no dia 4 de maio", pontuou.

Segundo a empresa, Sena já não exercia atividades ligadas ao órgão federal desde o dia 23. "Assim, o ex-colaborador seria desligado ainda que não tivesse participado dos episódios lamentáveis e absolutamente condenáveis aos quais está supostamente vinculado", pontuou.

Em nota, o MMFDH disse ainda que "repudia qualquer ato de violência e agressão, principalmente contra profissionais de saúde em um momento que eles devem ser ainda mais respeitados e valorizados". Apesar da demora de 11 dias (entre a alegada solicitação do órgão federal e a efetiva substitição do funcionário), o ministério pontuou que a empresa "agiu com agilidade, ética e presteza no atendimento do pedido".

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