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Após saída de Teich, Mandetta pede oração e Moro fala em "cenário difícil''

Logo após a saída do titular do Ministério da Saúde, as manifestações sobre a decisão começaram; veja

Bruna Lima, Renata Rios
postado em 15/05/2020 13:52
 (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Moro e MandettaMinutos após o anúncio do pedido de exoneração do Ministro da Saúde, Nelson Teich, o antecessor no cargo, o médico e ex-deputado federal, Luiz Henrique Mandetta se manifestou nas redes sociais. "Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé", postou no Twitter com a hashtag "Fica em Casa".

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Em tom semelhante ao de mandetta, o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, também usou o Twitter para criticar. "Cenário difícil, em plena pandemia, 13993 mortes até ontem. Números crescentes a cada dia. Cuide-se e cuide dos outros", disse.

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O Conselho Nacional de Secretários de Saúde manifestou, por meio de nota, a "mais alta preocupação" com a instabilidade no Ministério da Saúde e na condução da pandemia. "A instabilidade e a falta de ações coordenadas e claras, neste momento, são inimigas da saúde e da vida", disse o presidente Alberto Beltrame.

Presidenciáveis

O agravamento da instabilidade do governo em meio à demissão foi usada por políticos como argumento para fortalecer movimentos pelo pedido de impeachment de Bolsonaro.

"A queda de mais um ministro da saúde mostra a face genocida de Bolsonaro. Mais do que nunca, é essencial que todos se unam contra Bolsonaro no dia 19/05, às 18h30. Vamos para as janelas gritar junto com todo Brasil: #ForaBolsonaro #ImpeachmentJá", publicou o político Ciro Gomes.

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O ex-cadidato à Presidência na última eleição, Guilherme Boulos disse que "Teich jamais assumiu o Ministério da Saúde. O Brasil está nas mãos do Gabinete do Ódio e das Testemunhas da Cloroquina", criticou.

Governadores

Logo após a saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde, as manifestações sobre a decisão começaram. Entre os políticos que manifestaram seus posicionamentos estavam alguns governadores.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que tem entrado em conflito com o presidente em relação a posicionamentos sobre a pandemia usou o twitter para se manifestar.

Logo após o anuncio da saída de Teich ele postou: "Minha solidariedade, ministro @TeichNelson. Presidente Bolsonaro, ninguém vai conseguir fazer um trabalho sério com sua interferência nos ministérios e na Polícia Federal. É por isso que governadores e prefeitos precisam conduzir a crise da pandemia e não o senhor, presidente". Na sequência ele complementou: "É mais um herói que se vai".

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Camilo Santana, governador do Ceará também se manifestou nas redes sociais. "A saída do segundo ministro da Saúde em menos de um mês traz enorme insegurança e preocupação. É inadmissível que, diante da gravíssima crise sanitária que vivemos, o foco do Governo Federal continue sendo em torno de discussões políticas e ideológicas. Isso é uma afronta ao país", publicou por volta das 13h.

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João Azevedo, governador da Paraíba; Flávio Dino, do Maranhão; e Renato Casagrande, do Espírito Santos; também usaram a internet para reprovar a saída do ministro. Nos textos, os governantes lamentaram o desfalque na gestão da saúde e a confusão criada em plena pandemia.

"A saída de mais um ministro da saúde em meio a pandemia, mostra como estamos à deriva no enfrentamento à crise por parte do governo federal. Ou o PR deixa o ministério agir, segundo as orientações da OMS ou vamos perder cada vez mais brasileiros" lamentou o governador capixaba.


Após publicar várias mensagens em apoio ao uso protocolar da cloroquina, a deputada Carla Zambelli manteve o discurso ao comentar a saída de Teich. "Independente de quem vai assumir o Ministério da Saúde, temos que aplicar o protocolo da hidroxicloroquina, e o estudo já está sendo preparado pela Associação Médica Brasileira. O Brasil precisa desse protocolo para salvar vidas", tuitou.

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Saída ocorre em menos de um mês

A saída de Teich ocorre menos de um mês após ele assumir o ministério. Ele entrou no lugar de Luiz Henrique Mandetta, que deixou o comando do ministério após entrar em conflito com o Presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas de isolamento.

O pedido de demissão foi oficializado, na manhã desta sexta-feira (15/5), por meio dos canais de comunicação do ministério da Saúde. Nos bastidores, a razão se deu pela divergência entre o presidente Jair Bolsonaro e Teich quanto ao uso protocolar da cloroquina no tratamento contra o coronavírus.

Apesar de já haver liberação para o uso, desde que de forma consensual entre o médico e o paciente, Bolsonaro quer sistematizar o uso, mesmo sem evidências científicas para isso.

Mais cedo, Bolsonaro voltou a insistir. "O protocolo deve ser mudado hoje porque o Conselho Federal de Medicina diz que pode usar desde o começo então é direito do paciente", disse a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada. No entanto, após se encontrar com Teich, o que saiu da reunião foi uma desistência do cargo.

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