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Correio Braziliense

Outros cinco líderes do movimento '300 do Brasil' são alvos de prisão

Mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes após pedido do Ministério Pública Federal (MPF)


postado em 15/06/2020 10:20 / atualizado em 15/06/2020 13:40

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, expediu mandado de prisão temporária contra a ativista de extrema direita Sara Fernanda Girimini, conhecida como Sara Winter, e outras cinco pessoas no âmbito do inquérito que investiga atos antidemocráticos. Todos são identificados como líderes do acampamento "300 do Brasil", de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. 

Os pedidos de prisão partiram do Ministério Público Federal (MPF). Até o momento, sabe-se que Sara Winter foi presa. A operação é da Polícia Federal, que por enquanto confirma a prisão apenas dela. Sara está na superintendência da PF, em Brasília. 

O inquérito em questão foi aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), em abril deste ano, para apurar a organização de atos antidemocráticos, que pedem o fechamento do STF, do Congresso Nacional e um novo Ato Institucional número 5 (AI-5).

A prisão dos seis possui prazo de cinco dias e tem como objetivo ouvir os investigados e, segundo a PGR, reunir informações sobre como funciona o esquema criminoso. O inquérito está no STF pelo fato de as manifestações antidemocráticas terem tido a presença de deputados federais.

Acampamento na Esplanada

No último sábado (13/6), o acampamento "300 do Brasil" foi retirado da Esplanada dos Ministérios, onde estava desde o início de maio, pelo governo do Distrito Federal. À tarde, ela junto com um grupo de cerca de 20 pessoas tentou invadir as áreas restritas do Congresso Nacional,  ultrapassando a estrutura que cercava e subindo na parte externa do prédio, onde ficam as gôndolas, próximo às cúpulas do Congresso.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) já havia solicitado a desmobilização do grupo e a proibição da retomada do movimento. A Justiça, no entanto, negou a solicitação. Eles foram impedidos de armar barracas no local, mas dormiam em sacos de dormir e em carros em um estacionamento público no local.

Sara já falou abertamente que no local ficavam pessoas armadas. "Em nosso grupo, existem membros que são CACs (sigla para Colecionador, Atirador e Caçador), outros que possuem armas devidamente registradas nos órgãos competentes. Essas armas servem para a proteção dos próprios membros do acampamento e nada têm a ver com nossa militância", afirmou em entrevista à BBC.

Pedido de asilo

No último dia 8, a defesa de Sara Winter afirmou que havia pedido à Embaixada dos Estados Unidos asilo político à cliente, mas foi negado. O advogado de Sara, Bertoni Barbosa de Oliveira, disse que não poderia detalhar como as providências foram tomadas, mas afirmou que a solicitação foi feita de maneira informal, em uma articulação junto à Embaixada.

Fake news

Sara já havia sido alvo de busca e apreensão, em 5 de maio, no âmbito do inquérito das fake news, que investiga ameaças, ofensas e informações falsas contra ministros da suprema Corte. Ela não chegou a ir depor na Polícia Federal. 

Em 4 de junho, data marcada para o seu depoimento, o advogado de Sara, Bertoni Barbosa de Oliveira, afirmou que ainda não tinha tido acesso aos autos e disse que iria à superintendência da PF ver se havia alguma outra acusação contra ela. Ele afirmou que suspeitava da possibilidade de uma prisão preventiva em desfavor de Sara. Na semana passada, no entanto, ele disse que não havia.

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