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Roberto Jefferson e deputados do PSL são alvos da PF sobre ataques ao STF

Operação na manhã desta quarta-feira ocorre em inquérito que apura ofensas e fake news contra os ministros do Supremo Tribunal Federal

Philipe Santos, Renato Souza
postado em 27/05/2020 07:30

Roberto Jefferson, Zambelli e Bia kicisPor ordem do ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal (PF) cumpre mandados de buscas e apreensões, nesta quarta-feira (27/5), no âmbito do inquérito que apura fake news e ofensas contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Estão sendo cumpridas 29 ordens judiciais no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Mato Grosso, no Paraná e em Santa Catarina. A corporação não passou mais detalhes da operação. Não há mandados de prisões.

Mas o Correio apurou que entre os alvos das ações da Polícia Federal estão o blogueiro Allan dos Santos, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, os deputados estaduais Douglas Garcia (PSL/SP)e Gil Diniz (PSL/SP) . Todos são aliados do presidente Jair Bolsonaro.

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Deputados federais do PSL, partido que o presidente foi eleito e deixou no ano passado, também são alvos da operação. Os parlamentares Carla Zambelli (SP), Bia Kicis (DF), Junio Amaral (MG), Filipe Barros (PR) e Luiz Phillipe Orleans e Bragança (SP) e Daniel Silveira (RJ) devem prestar depoimento por determinação de Moraes.

A investigação busca identificar quem são os articuladores, financiadores e apoiadores do esquema montado para propagar ataques contra políticos e instituições. Moraes determinou que os parlamentares federais sejam ouvidos para esclarecer eventuais participações no caso. Nenhum dos deputados foi alvo de busca e apreensão.

Informações obtidas pelo Correio apontam que as investigações desta quarta-feira estão relacionadas com o inquérito que investiga manifestações antidemocráticas, que pediram intervenção militar nos últimos meses.

Os 300

, formado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Membros do grupo têm se notabilizado pelo comportamento radical de nas redes sociais e em manifestações na Esplanada dos Ministério, em Brasília.

Recentemente, os ativistas, liderados pela ex-militante feminista Sara Winter - alvo da operação - montaram um acampamento ao lado do STF, mas foram retirados do local pela polícia. Depois do episódio, passaram a ocupar uma chácara em Brasília.

O que dizem os alvos


Roberto Jefferson comparou o STF ao nazismo. Ele escreveu um tuíte em que cita o Reich alemão para classificar a operação como "soez, covarde, canalha e intimidatória, determinada pelo mais desqualificado Ministro da Corte."

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Hang se defendeu da ação da PF. "Jamais atentei ou fiz fake news contra o STF", disse, em vídeo nas redes sociais. Ele ainda afirmou que a situação estará "esclarecida" após a realização de perícia no celular e computador. Ele disse estar "tranquilo" quanto às investigações.

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Já Carla Zambelli defendeu o impeachment de um ministro do STF, . A parlamentar também afirmou que não foi alvo de busca e apreensão.

O deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP) e os deputados federais do PSL Bia Kicis (DF), Daniel Silveira (RJ) e Junio Amaral (MG) afirmaram não ter recebido qualquer comunicação do STF sobre depoimento. Carla Zambelli (SP), Filipe Barros (PR) e Luiz Phillipe Orleans e Bragança (SP) não responderam.

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Nas redes sociais, Sara Winter se manifestou logo após a PF deixar a casa levando aparelhos eletrônicos. Ela chamou o ministro Alexandre de Moraes de "covarde" e disse que os agentes federais chegaram à sua residência às 6h.

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A investigação

O inquérito foi aberto em 14 de março do ano passado pelo presidente da Corte, Dias Toffoli. Na ocasião, o ministro não citou os nomes de investigados, decretou sigilo de Justiça no caso e disse que ;seriam investigados ataques à Corte e aos seus integrantes;. A abertura de investigação gerou polêmica.

[SAIBAMAIS]O jornal O Estado de S. Paulo apurou que, recentemente,. A investigação corre sob sigilo e deve ser concluída ainda neste semestre, quando seguirá para o Ministério Público.

No âmbito do inquérito, Alexandre de Moraes também cobrou, nessa terça-feira (27/5), explicações do ministro da Educação, Abraham Weintraub sobre a declaração feita na reunião de 22 de abril, quando Weintraub afirmou que, por ele, "botava esses vagabundos todos na cadeia", "começando no STF". O titular do Ministério da Educação terá agora cinco dias para prestar depoimento à Polícia Federal.

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