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Inpe está com diretor interino desde agosto de 2019

Órgão acompanha desmatamento no país. Militar assumiu interinamente após saída de Ricardo Galvão. Na época, instituto divulgou aumento de devastação da Amazônia e sofreu críticas do presidente

Sarah Teófilo
postado em 14/07/2020 14:35
Órgão acompanha desmatamento no país. Militar assumiu interinamente após saída de Ricardo Galvão. Na época, instituto divulgou aumento de devastação da Amazônia e sofreu críticas do presidenteEm meio a uma polêmica envolvendo novamente Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o instituto se mantém sem um diretor desde agosto do ano passado. Ela é comandada interinamente pelo militar da Força Aérea Brasileira (FAB) Darcton Policarpo Damião desde a saída do ex-diretor Ricardo Galvão, depois da divulgação de dados sobre desmatamento que desagradaram o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O processo de escolha do novo diretor foi aberto em maio deste ano. No dia 3 de junho deste ano, o órgão divulgou no site uma nota informando que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações prorrogou o prazo para submissão de candidaturas ao cargo para o último dia 5 de julho. Segundo assessoria do Inpe, esta é a última informação sobre o processo. O ministério ressaltou em nota que o processo está dentro do prazo estipulado.
Ocorrerá na tarde desta terça-feira (14) um anúncio do ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, sobre uma reestruturação do Inpe. O diretor interino participará do anúncio da nova estrutura e deve falar sobre o assunto da diretoria do órgão.

Na última segunda-feira (13), a coordenadora-geral de Observação da Terra do Inpe, Lubia Vinhas, departamento reponsável pelos sistemas que acompanham o desmatamento na Amazônia e no Cerrado, foi exonerada. A demissão ocorreu após dados de um dos sistemas mostrarem, na última sexta-feira (10), um novo aumento de desmatamento na Amazônia, com mais um recorde no mês de junho.

Em nota, o Inpe afirmou que a demissão de Lubia fazia parte de um processo de reestruturação, e que a realocação dele a outro caso, de chefe da Divisão de Projeto Estratégico, já estava prevista.

Empresários

A divulgação do aumento do desmatamento na Amazônia se deu em meio a conversas do vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), com empresários e investidores que mostraram preocupação e insatisfação com a política ambiental brasileira. Mourão se reuniu com investidores internacionais que condicionaram novos investimentos no Brasil ao controle do desmatamento.

Durante a semana, foi divulgada uma carta assinada por 50 empresários de grandes empresas do Brasil e fora manifestando preocupação com o desmatamento e os impactos nos negócios, como possíveis sanções internacionais. Na sexta, ele se reuniu com sete empresários e três entidades representativas para tentar acalmar os ânimos.

Na ocasião, prometeu a elaboração de metas a serem cumpridas semestralmente contra o desmatamento na Amazônia Legal e disse que o objetivo final é ;reduzir o desmatamento ao mínimo aceitável;, frase que ele voltou a repetir na última segunda-feira (13) em videoconferência com o presidente do Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.

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