A concessão de prisão domiciliar humanitária temporária para o ex-presidente Jair Bolsonaro em março de 2026, com uso de tornozeleira eletrônica e restrições rigorosas, trouxe à tona uma medida que não é inédita no cenário global. Condenado em setembro de 2025 a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro cumpria pena no presídio Papudinha até receber o benefício por motivos de saúde. A restrição de liberdade em casa já foi aplicada a diversos outros líderes mundiais, cada um com sua própria trajetória de poder, acusações e desfechos.
Relembrar esses casos ajuda a colocar o cenário atual em perspectiva, mostrando como diferentes nações lidaram com ex-governantes envolvidos em investigações criminais ou crises políticas. Conheça cinco exemplos notáveis de líderes que tiveram sua liberdade restrita em suas próprias residências.
Aung San Suu Kyi
Vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi passou quase 15 anos em prisão domiciliar em Mianmar entre 1989 e 2010. Ela se tornou um símbolo global da luta pacífica pela democracia contra a junta militar que governava o país. Sua detenção visava silenciar sua crescente influência política.
Após sua libertação, ela chegou a ocupar um cargo de liderança no governo. No entanto, foi novamente detida após um golpe militar em fevereiro de 2021, enfrentando novas acusações que a mantêm presa atualmente.

Hosni Mubarak
Presidente do Egito por quase 30 anos, Hosni Mubarak foi derrubado do poder em 2011 durante os protestos da Primavera Árabe. Após sua renúncia, ele foi preso e julgado por acusações que incluíam corrupção e a morte de manifestantes. Durante parte do processo, sua pena foi convertida em prisão domiciliar em um hospital militar no Cairo.
Mubarak acabou absolvido da maioria das acusações mais graves em 2017 e foi libertado. Ele viveu seus últimos anos em relativa discrição e morreu em 2020.

Imran Khan
O ex-primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, é um exemplo mais recente. Campeão mundial de críquete antes de entrar para a política, ele foi removido do cargo em 2022 por uma moção de desconfiança. Desde então, Khan foi preso em 2023 e enfrenta dezenas de acusações, que ele alega serem politicamente motivadas. Sua situação jurídica permanece complexa, com múltiplas detenções em instalações prisionais, refletindo a intensa polarização política do país.

Outros nomes
Pol Pot
O líder do Khmer Vermelho, Pol Pot, foi responsável pelo genocídio que matou cerca de dois milhões de pessoas no Camboja na década de 1970. Após ser deposto em 1979, ele viveu escondido por anos na selva. Em 1997, seus próprios ex-companheiros o capturaram e o sentenciaram em um julgamento improvisado.
A pena de Pol Pot foi a prisão domiciliar perpétua em uma pequena cabana na selva. Ele morreu no ano seguinte, em 1998, antes que pudesse ser levado a um tribunal internacional para responder por seus crimes.
Augusto Pinochet
O ditador chileno Augusto Pinochet protagonizou um dos casos mais famosos de prisão domiciliar para um ex-chefe de Estado. Após renunciar ao poder, ele foi detido em Londres em 1998, sob um mandado de prisão internacional emitido pela Espanha por violações de direitos humanos. Autoridades britânicas o liberaram por motivos de saúde em 2000, permitindo seu retorno ao Chile.
De volta ao seu país, Pinochet foi colocado em prisão domiciliar enquanto enfrentava centenas de acusações criminais. Ele morreu em 2006, aos 91 anos, sem nunca ter sido condenado pelos crimes atribuídos a seu regime.










