O diretor e roteirista Zach Cregger consolidou seu nome no cinema de terror com “A Hora do Mal” (“Barbarian”, no título original), filme de 2022 que continua sendo celebrado pelo público e pela crítica. O longa não foi apenas um fenômeno que redefiniu as expectativas para o terror moderno, mas também um sucesso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 45 milhões com um orçamento de apenas US$ 4 milhões.
O grande trunfo do longa está em sua estrutura narrativa corajosa. A trama começa de forma aparentemente simples: uma jovem chega a um Airbnb alugado para uma entrevista de emprego e descobre que a casa já está ocupada por um homem misterioso. O que se desenrola a partir daí, no entanto, desafia todas as convenções do gênero. O roteiro executa pelo menos duas reviravoltas radicais que mudam completamente o rumo e o tom da história.
Essa abordagem imprevisível quebrou a fórmula tradicional dos filmes de terror. Em vez de seguir um único caminho, “A Hora do Mal” se divide em capítulos distintos, cada um com uma perspectiva e um ritmo próprios. A primeira parte constrói um suspense psicológico intenso, enquanto as seções seguintes mergulham em um horror visceral e chocante, sem medo de abandonar personagens ou subtramas para surpreender o espectador.
Uma crítica social disfarçada de terror
Além da estrutura inovadora, o filme foi elogiado por suas camadas de crítica social. Por trás dos sustos e da tensão, a história aborda de forma inteligente as dinâmicas de poder e a violência contra as mulheres. Temas como a cultura do estupro, o movimento #MeToo e a gentrificação são explorados através das ações e dos destinos de seus personagens, que representam diferentes facetas da sociedade.
A narrativa conecta eventos de diferentes décadas para mostrar como as atitudes predatórias do passado continuam a ecoar no presente, gerando monstros literais e figurativos. Essa profundidade temática elevou o longa para além de um simples filme de sustos, transformando-o em uma conversa relevante sobre problemas contemporâneos.
A origem de Zach Cregger na comédia, como integrante do grupo “The Whitest Kids U’ Know”, tornou o sucesso do filme ainda mais surpreendente. Sua habilidade para manipular o humor e a tensão resultou em uma experiência única para o público. Foi essa combinação de roteiro imprevisível, sustos genuínos e comentários sociais afiados que consolidou “A Hora do Mal” como um marco do terror recente.









