Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que detalha repasses milionários do Banco Master para uma empresa do jornalista Leo Dias acendeu um alerta. A investigação sobre a origem de R$ 9,9 milhões joga luz sobre uma tática comum em esquemas financeiros: o uso de influenciadores e figuras públicas para dar uma aparência de legitimidade a operações fraudulentas como a lavagem de dinheiro.
Essa prática, conhecida no mercado como lavagem de reputação, não é nova, mas ganhou força com o poder das redes sociais. O objetivo é usar a credibilidade de uma pessoa famosa para atrair investidores e clientes para um negócio que, no fundo, serve para movimentar dinheiro de origem ilícita. A associação com uma celebridade ajuda a mascarar a verdadeira natureza das transações.
Como a lavagem de dinheiro com famosos funciona
O mecanismo é estruturado em etapas claras, pensadas para disfarçar o fluxo de dinheiro sujo e conferir um selo de confiança a empresas de fachada. A contratação de uma figura pública é a peça-chave para que o esquema ganhe tração e alcance um público maior, que muitas vezes confia cegamente em seus ídolos.
O processo geralmente segue alguns passos básicos:
- Criação da fachada: A organização criminosa abre uma empresa que parece legítima, geralmente em setores como marketing, consultoria, eventos ou investimentos, onde os serviços são intangíveis e difíceis de auditar.
- Contratos milionários: A figura pública é contratada por meio de contratos de publicidade, palestras ou consultoria, com valores muito acima da média do mercado. Esses pagamentos servem para injetar o dinheiro ilícito no sistema financeiro de forma legal.
- Aparência de legalidade: Ao receber os valores, a empresa do famoso emite notas fiscais, conferindo uma camada de legalidade à transação. O dinheiro, agora “limpo”, pode ser usado livremente.
- Validação pública: O influenciador ou jornalista promove a empresa contratante, seus produtos ou seus executivos. Essa exposição atrai clientes e investidores reais, que acabam misturando seu dinheiro limpo com os recursos de origem ilegal do esquema, dificultando ainda mais o rastreamento.
O principal risco para o público é ser atraído para investimentos fraudulentos ou negócios que parecem promissores apenas pela associação com um rosto conhecido. Para as autoridades, o desafio é provar que os serviços contratados não foram prestados ou que os valores eram desproporcionais, caracterizando a má-fé na operação.
Relatórios como o do Coaf são fundamentais para identificar essas movimentações atípicas. Transferências de grandes volumes de dinheiro, sem uma justificativa econômica clara, são o primeiro sinal de que algo pode estar errado e servem como ponto de partida para investigações mais aprofundadas.








