O interesse por um futuro “Papa Leão XIV” tem crescido em buscas online, reacendendo uma fascinação secular por profecias sobre o destino da Igreja Católica. Esse movimento não se baseia em um pontífice real, mas em uma antiga curiosidade sobre as visões que tentam prever os sucessores de Pedro e os rumos do Vaticano ao longo da história.
No centro dessa curiosidade está a famosa Profecia dos Papas, atribuída a São Malaquias. O documento lista uma série de curtos lemas em latim que, segundo a tradição, descreveriam cada um dos papas a partir de Celestino II, eleito em 1143, culminando em uma visão sobre o último pontífice.
A profecia de São Malaquias
Atribuída ao arcebispo irlandês do século XII, a profecia consiste em 112 frases curtas e enigmáticas. O texto, no entanto, só foi publicado pela primeira vez em 1595, o que leva a maioria dos historiadores a considerá-lo uma falsificação criada para influenciar um conclave da época. A Igreja Católica não reconhece oficialmente a profecia.
Apesar das controvérsias, a popularidade da lista cresceu com as supostas correspondências entre os lemas e os pontificados. Por exemplo, o lema “De medietate lunæ” (Da metade da lua) foi associado a João Paulo I, cujo papado durou apenas 33 dias, um período que coincidiu com fases lunares significativas. Bento XVI, correspondente ao lema “Gloria olivæ” (A glória da oliveira), teve seu pontificado associado à Ordem de São Bento, cujo símbolo inclui a oliveira.
A contagem se tornou mais complexa com o Papa Francisco. Segundo a interpretação mais comum da profecia, ele não seria o último papa, mas o penúltimo. O lema associado ao seu pontificado é “In persecutione extrema S.R.E. sedebit” (Durante a última perseguição à Santa Igreja Romana, ele sentará), que descreveria o início de um período de grande tribulação para a Igreja.
A profecia final, apresentada como uma entrada separada após a lista de lemas, descreve o último pontífice: “Petrus Romanus” (Pedro, o Romano). Segundo o texto, ele “apascentará suas ovelhas em meio a muitas tribulações” e, durante seu governo, “a cidade das sete colinas será destruída”. É nesse contexto apocalíptico que a especulação sobre o sucessor de Francisco ganha força.
O cenário após a morte de Francisco
Com a morte do Papa Francisco em 21 de abril de 2025, o interesse pela profecia de São Malaquias foi renovado. As especulações sobre quem seria o “Petrus Romanus” e se a visão apocalíptica estaria próxima de se concretizar se intensificaram. A busca por nomes como “Leão XIV” reflete essa ansiedade e a tentativa de decifrar os sinais sobre o futuro da Igreja Católica no aguardado conclave para eleger o próximo papa.









