A recente morte de uma estudante brasileira de medicina em Ciudad del Este, no Paraguai, ocorrida em abril de 2026, jogou luz sobre um problema que muitas vezes começa de forma silenciosa: o relacionamento abusivo. O principal suspeito do crime é o ex-namorado da jovem, com quem ela havia terminado o relacionamento meses antes, evidenciando como o fim de um ciclo de violência pode ter um desfecho trágico. Identificar os sinais de alerta é o primeiro passo para quebrar esse ciclo.
Diferente do que muitos pensam, a violência nem sempre começa com agressões físicas. Na maioria das vezes, ela se instala de forma sutil, por meio do controle psicológico e emocional. Atitudes que podem ser confundidas com excesso de cuidado ou ciúme são, na verdade, os primeiros indicativos de uma dinâmica perigosa.
É fundamental entender que o abuso se baseia em um desequilíbrio de poder, onde uma pessoa busca controlar e subjugar a outra. Esse comportamento se manifesta em diversas áreas da vida, minando a autoestima e a independência da vítima aos poucos.
Sinais de um relacionamento abusivo
Reconhecer os padrões de comportamento abusivo é crucial. Alguns dos sinais mais comuns incluem:
- Isolamento: o agressor tenta afastar a vítima de amigos e familiares, criticando suas companhias e criando conflitos para que ela se sinta sozinha e dependente.
- Controle excessivo: monitorar o celular, as redes sociais, controlar as roupas que a pessoa veste, os lugares que frequenta e até mesmo suas finanças são formas claras de controle.
- Ciúme patológico: crises de ciúme desproporcionais, acusações de infidelidade sem motivo e a necessidade de saber onde a pessoa está e com quem fala o tempo todo não são provas de amor, mas de posse.
- Humilhação constante: críticas, apelidos ofensivos e “brincadeiras” que diminuem a vítima, seja em particular ou na frente de outras pessoas, servem para destruir sua autoconfiança.
- Ameaças e intimidação: ameaças veladas ou diretas, que podem envolver a própria vítima, seus filhos, familiares ou animais de estimação. Quebrar objetos durante uma discussão também é uma forma de intimidação.
Onde buscar ajuda
Se você se identifica com alguma dessas situações ou conhece alguém que esteja passando por isso, saiba que existe uma rede de apoio disponível. O primeiro passo pode ser conversar com uma pessoa de confiança, mas a ajuda profissional e institucional é essencial para garantir a segurança.
A Central de Atendimento à Mulher, pelo número Ligue 180, funciona 24 horas por dia, todos os dias. A ligação é gratuita e confidencial, oferecendo escuta e orientação sobre os próximos passos. Em casos de emergência ou agressão iminente, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.
Também é possível procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ou, na ausência de uma na sua cidade, qualquer delegacia de polícia para registrar um boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência. A rede de apoio familiar e de amigos também é fundamental para que a vítima consiga romper o ciclo de violência.










