A relação entre Bill Gates e o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais, começou em 2011, anos após a primeira condenação de Epstein. O cofundador da Microsoft se encontrou com ele em diversas ocasiões, acreditando que o contato poderia gerar doações bilionárias para suas iniciativas de saúde global por meio da Fundação Bill & Melinda Gates.
Os encontros ocorreram entre 2011 e 2014, período em que Gates visitou a residência de Epstein em Nova York e viajou no avião particular do financista. A justificativa do bilionário sempre foi a mesma: ele estava focado em levantar fundos para causas filantrópicas, chegando a facilitar uma doação de US$ 2 milhões de Epstein para o MIT Media Lab em 2013. Mais tarde, ele classificaria sua associação com Epstein como um grave erro de julgamento.
A polêmica central reside no fato de que, quando os encontros começaram, Epstein já havia sido condenado, em 2008, por solicitar prostituição de uma menor. A associação de Gates com uma figura de reputação tão manchada gerou intensas críticas e questionamentos sobre sua conduta e a de sua equipe.
O impacto e o arrependimento público
Publicamente, Bill Gates expressou arrependimento profundo por sua ligação com Epstein. Em diversas entrevistas, ele afirmou que foi um “erro enorme” ter passado tempo com o financista. Gates declarou que se sentia mal por ter dado a ele uma plataforma de credibilidade ao se associar ao seu nome, e que subestimou o caráter predatório de Epstein.
A conexão também teve um custo pessoal significativo. Melinda French Gates, sua então esposa, conheceu Epstein em setembro de 2013 e, segundo relatos, expressou crescente desconforto com a associação. A insistência de Gates em manter contatos, apesar das objeções dela, foi apontada como um dos fatores que contribuíram para o divórcio do casal em 2021, ano em que Melinda também anunciou sua saída da fundação que co-presidia.
Novos desdobramentos e investigações
O caso ganhou novos contornos entre 2025 e 2026, com a liberação de documentos do Departamento de Justiça que detalharam ainda mais a extensão da relação. As revelações levaram a Fundação Gates a iniciar uma investigação externa em março de 2026 e resultaram no agendamento de um depoimento de Bill Gates ao Congresso para junho do mesmo ano. A polêmica também abalou sua longa amizade com o investidor Warren Buffett, que se distanciou publicamente. Gates negou veementemente alegações mais graves que surgiram em e-mails não verificados atribuídos a Epstein.
Epstein se suicidou na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores, mas a associação com ele se tornou um capítulo sombrio e persistente na biografia de Gates, com consequências que continuam a ecoar em sua vida pessoal, profissional e filantrópica.






