A recente notícia de um surto de hantavírus em um navio de cruzeiro acendeu um alerta global, mas a situação no Brasil possui características próprias e bem definidas. O episódio internacional envolveu a cepa viral Andes, que não circula no país e pode ser transmitida entre pessoas. Já no Brasil, os casos são esporádicos, causados por cepas locais que não permitem a transmissão interpessoal e estão concentrados, principalmente, em áreas rurais e silvestres.
O risco de contrair hantavírus no país está diretamente associado ao contato com secreções de roedores silvestres infectados, como urina, fezes e saliva. A principal forma de transmissão ocorre pela inalação de poeira contaminada com o vírus, geralmente em locais fechados que servem de abrigo para esses animais, como galpões, paióis e casas abandonadas.
Desde 1993, o Brasil registrou 2.419 casos de hantavirose, com 927 óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde, o que demonstra a raridade da doença. Ela não se distribui de maneira uniforme pelo território: as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram a maioria dos registros. Os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, além do Distrito Federal, são os que apresentam maior número de casos confirmados. No entanto, Mato Grosso, Amazonas, Pará e Maranhão também registram ocorrências.
Essa concentração geográfica está ligada à presença de roedores portadores do vírus em biomas como a Mata Atlântica e o Cerrado. Atividades de trabalho no campo, como agricultura, desmatamento e limpeza de terrenos, além de atividades de lazer, como acampamentos, aumentam a exposição das pessoas a ambientes de risco.
Como reduzir o risco de infecção por hantavírus
Adotar medidas simples de higiene e saneamento é a forma mais eficaz de prevenção. A primeira recomendação é evitar que os roedores entrem em casa e se multipliquem. Para isso, mantenha a área ao redor da residência limpa, sem entulhos ou mato alto, e vede todas as frestas e buracos em paredes, telhados e assoalhos.
Alimentos devem ser guardados em recipientes bem fechados e à prova de roedores. O lixo também precisa ser acondicionado em latas com tampa, para não atrair os animais. Fontes de água devem ser protegidas para evitar o acesso dos roedores.
Ao limpar locais que possam ter sido frequentados por esses animais, o cuidado deve ser redobrado. É fundamental ventilar o ambiente por pelo menos 30 minutos antes de iniciar a limpeza. Em seguida, borrife uma solução de água sanitária e água (na proporção de uma parte de água sanitária para nove de água) sobre o local para umedecer a poeira, evitando varrer ou aspirar a seco.
O uso de equipamentos de proteção, como luvas de borracha e máscaras, é indispensável durante a limpeza. Após o procedimento, os materiais utilizados devem ser descartados de forma segura, e as mãos, lavadas com água e sabão.








