Enquanto o Congresso Nacional debate a redução da jornada de trabalho, um importante projeto piloto sobre a semana de 4 dias foi concluído no Brasil entre janeiro e junho de 2024. A iniciativa, que testou a viabilidade do modelo em diferentes setores, trouxe resultados concretos que agora alimentam a discussão sobre o futuro do trabalho no país.
A ideia central não é simplesmente trabalhar menos, mas otimizar o tempo. O modelo mais comum testado foi o 100-80-100, que propõe o pagamento de 100% do salário, com 80% do tempo de trabalho, em troca da manutenção de 100% da produtividade. Para isso, as companhias investiram em gestão de tempo, reuniões mais eficientes e foco total nas tarefas essenciais.
Resultados do piloto no Brasil
O projeto foi conduzido pela organização 4 Day Week Global, em parceria com a Reconnect Happiness at Work, e teve seus resultados analisados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP). Das 21 empresas que iniciaram, 19 concluíram o teste, envolvendo cerca de 290 colaboradores. Os dados revelaram impactos positivos significativos:
- Bem-estar: Houve uma redução de 30,5% nos níveis de ansiedade dos funcionários.
- Produtividade: 71,5% dos participantes perceberam um aumento na própria produtividade.
- Resultados financeiros: Cerca de 72% das empresas registraram aumento na receita durante o período.
- Satisfação: Após o teste, 97,5% dos colaboradores afirmaram que gostariam de continuar com a jornada reduzida.
Adoção do modelo após o teste
Ao final do modelo da semana de 4 dias, a adesão ao novo formato se mostrou uma forte tendência. Segundo a pesquisa da FGV-EAESP, 46,2% das empresas participantes decidiram tornar a semana de quatro dias uma política permanente. Outras 38,5% optaram por estender o período de testes para consolidar a adaptação, enquanto as demais buscaram formatos híbridos, como quinzenas de nove dias. As companhias envolvidas abrangem diversos setores, como tecnologia, consultoria, saúde e comunicação.
O principal argumento das organizações que seguem com a jornada reduzida é que a mudança cultural gera um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. Com os resultados positivos do piloto brasileiro, a discussão ganhou ainda mais força, tanto no ambiente corporativo quanto no legislativo, mostrando que o modelo é mais do que uma tendência global, mas uma possibilidade real para o mercado nacional.







