No coração do Caribe, a ilha particular de Little St. James se transformou no epicentro do esquema de tráfico e abuso sexual comandado pelo financista Jeffrey Epstein. Comprada por ele em 1998, a propriedade nas Ilhas Virgens Americanas era vendida como um paraíso tropical, mas escondia uma realidade sombria que envolvia menores de idade, celebridades e algumas das figuras mais poderosas do mundo.
Apelidada de “ilha da pedofilia”, o local era equipado com vilas luxuosas, um cinema, piscinas e um heliporto para receber os convidados de Epstein. A estrutura garantia total privacidade, longe dos olhares da imprensa e das autoridades. Era neste cenário que o bilionário promovia festas e encontros onde meninas, muitas delas adolescentes, eram exploradas sexualmente por ele e seus associados.
Um refúgio para crimes
Relatos de vítimas e funcionários detalham um sistema organizado de exploração. As jovens eram recrutadas nos Estados Unidos e em outras partes do mundo com falsas promessas de oportunidades de trabalho ou educação, sendo depois levadas para a ilha. Documentos judiciais e investigações revelaram que o local era o principal palco dos abusos, onde as vítimas eram mantidas sob controle e forçadas a participar de atividades sexuais.
Um dos elementos mais bizarros da ilha era uma construção azul e branca com uma cúpula dourada, semelhante a um templo. O propósito da estrutura nunca foi totalmente esclarecido, alimentando especulações sobre os rituais e atividades que ocorriam em seu interior. A propriedade também contava com uma rede de câmeras e sistemas de vigilância, que Epstein supostamente usava para registrar as atividades de seus convidados e, assim, garantir seu silêncio.
As conexões de Epstein
O poder de Jeffrey Epstein vinha de suas conexões com a elite global. Registros de voo e testemunhos confirmam a presença de políticos, empresários e membros da realeza na ilha. Nomes como o do príncipe Andrew e de ex-presidentes americanos foram associados ao círculo do financista, embora muitos neguem conhecimento ou participação nos crimes.
O cofundador da Microsoft, Bill Gates, já comentou publicamente seus encontros com Epstein, classificando-os como um “grave erro de julgamento”. Gates afirmou que suas reuniões tinham como objetivo discutir filantropia e que não tinha conhecimento das atividades criminosas. A colaboradora de longa data de Epstein, Ghislaine Maxwell, foi condenada em dezembro de 2021 e sentenciada em junho de 2022 a 20 anos de prisão por seu papel central no recrutamento e aliciamento das vítimas.
Após a morte de Epstein na prisão em 2019, a ilha de Little St. James e uma propriedade vizinha foram colocadas à venda. Em 2023, o bilionário Stephen Deckoff adquiriu os terrenos por US$ 60 milhões, com planos de desenvolver um resort de luxo. Parte dos recursos da venda foi destinada a um fundo de compensação para as vítimas do esquema.










