Uma substância química chamada acrilamida, classificada como provável carcinógeno pela IARC (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer), pode se formar em alimentos comuns do dia a dia, como batatas fritas, pães e até no café. Isso acontece quando produtos ricos em amido são aquecidos a temperaturas muito altas, geralmente acima de 120°C, em processos como fritar, assar ou grelhar.
Após uma orientação recente da Anvisa (junho de 2026) sobre os riscos associados ao composto, muitos consumidores ficaram em dúvida sobre como proceder. A boa notícia é que atitudes simples na cozinha ajudam a reduzir significativamente a exposição a essa substância sem precisar eliminar seus pratos favoritos do cardápio.
Pequenas mudanças na rotina de preparo dos alimentos diminuem a formação da acrilamida e tornam a alimentação mais segura. Adotar novos hábitos é mais fácil do que parece e pode fazer uma grande diferença para a saúde a longo prazo.
Como reduzir a acrilamida no dia a dia
- Cuidado extra com as batatas: não guarde batatas cruas na geladeira. O armazenamento em baixas temperaturas pode aumentar a quantidade de açúcares no tubérculo, que se transformam em acrilamida durante o cozimento. Antes de fritar ou assar, deixe os pedaços de molho em água por 15 a 30 minutos e seque-os bem. Isso ajuda a remover parte do amido da superfície.
- Mire no dourado, não no marrom: a cor do alimento é o melhor indicador visual. Seja na batata, no pão ou em biscoitos, o ideal é atingir um tom amarelo-dourado. Evite cozinhar até que fiquem marrons ou com partes escuras. Para isso, controle a temperatura de fornos e fritadeiras, mantendo-as preferencialmente entre 160°C e 180°C. Quanto mais tostado, maior a concentração da substância. Se algo queimar, descarte a parte afetada.
- Ajuste o tempo do pão na torradeira: a mesma regra do dourado vale para o pão de forma. Programe a torradeira ou o forno para um tempo menor, buscando sempre a cor mais clara possível. O pão integral, por conter mais aminoácidos específicos, pode formar acrilamida mais facilmente que o branco, exigindo um pouco mais de atenção.
- A escolha do café importa: o processo de torra influencia diretamente os níveis da substância. Segundo alguns estudos, o café de torra escura, ao contrário do que se pode pensar, geralmente possui menos acrilamida, pois a substância é degradada com o tempo prolongado de aquecimento. O café solúvel, por sua vez, tende a apresentar concentrações maiores que o coado ou o expresso.
- Varie o método de preparo: fritar, assar e grelhar em altas temperaturas são os métodos que mais favorecem a formação de acrilamida. Para reduzir a exposição, inclua outras formas de cozimento na sua rotina. Cozinhar alimentos no vapor, na água (ferver) ou no micro-ondas são alternativas seguras que não produzem a substância.
Lembre-se: não é necessário eliminar esses alimentos da dieta, apenas adotar práticas mais seguras no preparo.










