O comércio brasileiro está diante de um concorrente inesperado que drenou R$ 143,8 bilhões do consumo em lojas e serviços entre janeiro de 2023 e março de 2026: as apostas online. Esse valor, que antes movimentava o caixa de pequenos e médios varejistas, agora é direcionado para as chamadas “bets”, impactando diretamente a economia local.
A popularização massiva das plataformas de apostas, que passaram a operar legalmente no Brasil em janeiro de 2025, foi impulsionada por forte publicidade e pela facilidade de acesso via celular, alterando o comportamento do consumidor. O dinheiro que seria gasto em um par de sapatos, um jantar fora ou um produto eletrônico agora é visto por muitos como uma oportunidade de ganho rápido, mesmo com os altos riscos envolvidos.
Esse fenômeno representa um desafio significativo para o varejo, que já enfrenta a concorrência do comércio eletrônico e a instabilidade econômica. Com uma movimentação que já atinge cerca de R$ 30 bilhões mensais em 2026, a perda de receita afeta a capacidade de investimento, a geração de empregos e a manutenção de negócios de bairro, que são vitais para a dinâmica das cidades.
Como o varejo pode competir?
Adaptar-se a essa nova realidade é fundamental para a sobrevivência dos lojistas. Competir com a promessa de dinheiro fácil é complexo, mas o varejo pode focar em seus pontos fortes, que as plataformas de apostas não oferecem: a experiência e o relacionamento com o cliente.
Investir na jornada de compra do consumidor é o primeiro passo. Isso inclui desde um atendimento personalizado até a criação de um ambiente agradável na loja física. Programas de fidelidade que oferecem vantagens reais e descontos progressivos também ajudam a reter o cliente, incentivando o retorno.
Outra estratégia é fortalecer a presença digital de forma inteligente. Mais do que apenas vender online, as marcas podem usar as redes sociais para criar uma comunidade, compartilhar conteúdo relevante e dialogar com seu público. Oferecer conveniência, como entregas rápidas e processos de troca simplificados, também agrega valor.
Por fim, o varejo precisa comunicar seu valor de forma clara. Em vez de focar apenas no produto, é preciso ressaltar os benefícios, a qualidade e a segurança da compra. A confiança que uma loja física ou um e-commerce estabelecido transmite é um diferencial importante nesse novo cenário de consumo.







