Operações policiais recentes que resgataram pessoas submetidas a tortura e trabalho análogo à escravidão trazem à tona uma questão fundamental: o que acontece após o resgate? Para além das feridas físicas, as sequelas psicológicas deixam marcas profundas que podem perdurar por toda a vida, exigindo um cuidado especializado e contínuo.
As sequelas emocionais e mentais são complexas e variadas, mas frequentemente se manifestam como Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Essa condição surge após a exposição a um evento aterrorizante, no qual a pessoa se sentiu impotente e em risco de morte. A memória do trauma invade a rotina e a capacidade de seguir em frente.
Conheça as sequelas psicológicas mais comuns do TEPT
- Revivescência: flashbacks, pesadelos e pensamentos intrusivos que fazem a pessoa reviver o trauma.
- Fuga e esquiva: evitar lugares, pessoas ou situações que lembrem o ocorrido.
- Alterações de humor: irritabilidade, crises de raiva, dificuldade de sentir emoções positivas e distanciamento social.
- Hipervigilância: estar constantemente em alerta, com reações exageradas a sustos e dificuldade para dormir e se concentrar.
Como funciona o acolhimento no SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma rede de apoio para o acolhimento de vítimas de violência. A porta de entrada para a rede de saúde mental costuma ser as Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou diretamente os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que realizam o atendimento inicial e o encaminhamento adequado.
O protocolo prevê que a pessoa resgatada passe por uma avaliação integral, que considera tanto os cuidados com a saúde física quanto a triagem psicológica. A partir desse diagnóstico, o objetivo é traçar um plano terapêutico individualizado, que pode envolver acompanhamento com psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais.
O tratamento psicológico é focado em ajudar a pessoa a processar o trauma em um ambiente seguro. As terapias buscam reduzir a intensidade dos sintomas, reconstruir a sensação de segurança e fortalecer a autoestima. Em alguns casos, o uso de medicamentos prescritos por um psiquiatra pode ser necessário para controlar a ansiedade ou a depressão.
A recuperação é um processo de longo prazo, não linear, que exige paciência e suporte contínuo. Por isso, o tratamento é geralmente conduzido por uma equipe multidisciplinar, que atua não apenas na saúde mental, mas também na reintegração social, auxiliando a vítima a reconstruir sua autonomia e seus laços com a comunidade.
Outras redes de apoio
Além do SUS, é fundamental que as vítimas tenham acesso a outras redes de proteção. Órgãos como a Defensoria Pública, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e organizações não governamentais (ONGs) especializadas oferecem suporte jurídico, social e de acolhimento, sendo essenciais para garantir a proteção integral dos direitos e a reconstrução da vida dessas pessoas.









