A recente Operação Lívia, que investiga a indução de crianças e adolescentes ao suicídio e à automutilação por grupos virtuais, acendeu um alerta para pais e responsáveis. Identificar sinais de sofrimento mental em jovens pode ser um desafio, mas mudanças sutis no comportamento costumam ser os primeiros indícios de que algo não vai bem. Ficar atento a esses sinais é o passo inicial para oferecer o apoio necessário.
O isolamento social é um dos indicadores mais comuns. Se o jovem começa a se afastar de amigos, abandona atividades que antes gostava e prefere passar a maior parte do tempo sozinho, especialmente no quarto, é um motivo para se preocupar. A mudança no círculo de amizades, principalmente para grupos com comportamentos de risco, também merece atenção.
Alterações no humor e na rotina diária são outros pontos críticos. Irritabilidade excessiva, tristeza constante, crises de choro sem motivo aparente ou uma apatia prolongada não devem ser vistos apenas como “coisa da idade”. Mudanças drásticas nos padrões de sono e apetite, para mais ou para menos, também são sinais importantes de desequilíbrio emocional.
Sinais físicos e comportamentais
Embora muitos jovens tentem esconder, os sinais físicos de automutilação podem ser evidentes. É fundamental observar o aparecimento de cortes, arranhões, queimaduras ou hematomas inexplicáveis, principalmente nos braços, pernas e abdômen. O uso constante de roupas de manga comprida e calças, mesmo em dias quentes, pode ser uma tentativa de ocultar as lesões.
No ambiente digital, o comportamento também pode mudar. O sigilo excessivo com o celular ou computador, o uso de redes sociais durante a madrugada e a irritação quando questionado sobre suas atividades online podem indicar que o jovem está envolvido em situações de risco ou sofrendo com o cyberbullying.
Como agir e oferecer apoio em caso de automutilação e sofrimento mental em jovens
A abordagem correta é essencial para ajudar. Iniciar uma conversa em um ambiente calmo e privado, sem julgamentos, é o primeiro passo. Demonstre preocupação genuína e se ofereça para ouvir, validando os sentimentos do adolescente sem minimizá-los com frases como “isso vai passar”.
Mostre que você está ali para ajudar e ofereça apoio concreto. Algumas ações práticas incluem:
- buscar ajuda profissional: psicólogos e psiquiatras são fundamentais para um diagnóstico e tratamento adequados.
- incentivar o diálogo aberto: crie um espaço seguro para que o jovem se sinta à vontade para compartilhar seus medos e angústias.
- monitorar o uso da internet: estabeleça limites saudáveis e acompanhe as interações online, explicando os perigos de forma clara.
- reforçar os laços afetivos: demonstre amor e apoio incondicional, mostrando que ele não está sozinho para enfrentar seus problemas.
Se você ou alguém que você conhece está passando por dificuldades emocionais, procure ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Ligue 188 ou acesse o site cvv.org.br.








