Uma operação policial realizada na última quarta-feira (29), contra o braço financeiro do Comando Vermelho, voltou a destacar como Marcinho VP, um dos líderes da facção, continua a dar ordens mesmo estando no presídio federal de Campo Grande (MS). O caso joga luz sobre um desafio persistente para a segurança pública: como chefes do crime, mesmo isolados em unidades de segurança máxima, conseguem transmitir ordens e manter o controle de suas operações.
O sistema penitenciário federal foi criado justamente para cortar a comunicação de lideranças com seus grupos. As regras são rígidas, com visitas restritas a encontros por parlatório, sem contato físico, e monitoramento constante. Ainda assim, as organizações criminosas desenvolvem métodos sofisticados para furar esse bloqueio e garantir que a hierarquia de comando seja mantida.
As táticas para burlar o sistema
A comunicação entre os líderes presos e seus subordinados em liberdade se apoia em uma combinação de estratégias que exploram brechas humanas e logísticas. Entender esses mecanismos é fundamental para compreender a resiliência das facções.
As principais formas de comunicação incluem:
- Advogados como mensageiros: embora a grande maioria dos advogados atue de forma ética, investigações policiais já revelaram casos de profissionais que atuam como “pombos-correio”. Eles se aproveitam da prerrogativa de conversar reservadamente com seus clientes para levar e trazer recados, conhecidos como “salves”.
- Visitantes e familiares: durante as visitas, mesmo com a vigilância, mensagens podem ser passadas por meio de códigos, gestos ou bilhetes minúsculos. Familiares, coagidos ou cooptados, acabam servindo de elo entre o chefe da facção e a rua.
- Criptografia em cartas: as correspondências são inspecionadas, mas os criminosos usam códigos e linguagem cifrada para transmitir ordens. Uma carta que parece inofensiva pode conter diretrizes sobre ataques, finanças ou disputas territoriais.
- Corrupção de agentes: a cooptação de agentes penitenciários, embora seja uma exceção, representa uma das falhas mais graves do sistema. Um funcionário corrupto pode facilitar a entrada de celulares ou a transmissão direta de informações.
A luta contra essa comunicação é contínua. As autoridades investem em tecnologia, como bloqueadores de sinal de celular mais potentes, e em inteligência para decifrar os códigos usados pelas facções. No entanto, a criatividade dos grupos criminosos para encontrar novas formas de se comunicar impõe uma batalha constante, onde cada nova barreira imposta pelo Estado é seguida por uma nova tática para superá-la.









