A presença de microplásticos em alimentos tornou-se uma preocupação real, especialmente após estudos recentes detectarem essas partículas no cérebro humano. Esses fragmentos minúsculos, invisíveis a olho nu, estão presentes em itens do dia a dia, da água que bebemos ao sal que usamos para temperar. Entender quais produtos carregam maior concentração é o primeiro passo para reduzir a exposição.
As partículas de plástico chegam à cadeia alimentar de várias formas, seja pela poluição dos oceanos, pelo ar ou até mesmo pelas embalagens e processos industriais. Embora a ciência ainda investigue todos os efeitos na saúde a longo prazo, a cautela se tornou uma recomendação geral.
Onde os microplásticos estão na comida?
Frutos do mar, principalmente os bivalves como mexilhões e ostras, estão no topo da lista. Eles filtram grandes volumes de água do mar para se alimentar e, com isso, acabam acumulando as partículas plásticas presentes no oceano. Peixes que ingerem plâncton contaminado também podem concentrar os fragmentos.
O sal é outra fonte conhecida, com um estudo global mostrando que até 94% dos produtos testados continham microplásticos. O sal marinho é particularmente suscetível, pois seu processo de produção, que envolve a evaporação da água do mar, concentra não apenas os minerais, mas também as partículas plásticas. O mel pode conter os fragmentos, que são transportados pelo ar e se depositam nas flores visitadas pelas abelhas.
A água engarrafada pode conter até 240 mil partículas de nanoplásticos por litro, segundo um estudo de 2024 publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”. A maior parte vem da própria garrafa PET e da tampa, que liberam partículas durante o manuseio, abertura e variações de temperatura.
Saquinhos de chá feitos de materiais plásticos, como náilon ou polipropileno, também são um ponto de atenção. Um único saquinho mergulhado em água quente pode liberar cerca de 11,6 bilhões de partículas de microplástico diretamente na bebida.
Como reduzir a exposição?
Algumas mudanças simples nos hábitos diários podem diminuir o contato com microplásticos. Adotar essas práticas ajuda a minimizar a ingestão dessas partículas sem a necessidade de grandes alterações na dieta.
- Prefira água filtrada: opte pela água da torneira, de preferência passada por um bom filtro, em vez da engarrafada. Use garrafas de vidro ou aço inoxidável para armazenamento.
- Modere o consumo de bivalves: diminuir a ingestão de mexilhões, ostras e vieiras pode ajudar a reduzir a carga de plásticos provenientes do mar.
- Escolha o sal com atenção: o sal de rocha, ou sal-gema, geralmente apresenta menor contaminação por ser extraído de minas subterrâneas, embora alguns tipos, como o sal do Himalaia, também possam ter níveis elevados de contaminação.
- Atenção ao aquecer alimentos: nunca aqueça comida em recipientes de plástico no micro-ondas. O calor facilita a transferência de partículas para o alimento. Dê preferência a recipientes de vidro.
- Opte por chá a granel: use chás de folhas soltas com um infusor de metal ou silicone em vez de saquinhos, especialmente os que têm aparência sedosa ou são selados com plástico.










