O estado do Pará registrou uma queda expressiva nos alertas de desmatamento, deixando de ser o epicentro da devastação na Amazônia Legal. Dados recentes do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram uma tendência de redução significativa, refletindo os esforços de fiscalização e combate ao crime ambiental na região.
Segundo os dados de março de 2026, houve uma queda de 51% nos alertas de desmatamento em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando apenas 11 km² de área sob alerta — o menor índice para o mês desde 2019. No acumulado do calendário de monitoramento (agosto de 2025 a março de 2026), a redução foi de 39%. Com isso, a participação do Pará no total desmatado na Amazônia Legal caiu de 16% para 6%.
Historicamente, municípios paraenses como Altamira, São Félix do Xingu e Novo Progresso figuram entre os que mais concentram alertas de devastação. Essa concentração geográfica revela frentes de expansão que avançam sobre áreas de mata nativa, muitas vezes em terras públicas ou unidades de conservação, embora dados municipais específicos de 2026 devam ser consultados para confirmar a situação atual.
Quais são as principais causas do desmatamento?
Apesar da queda nos índices, a destruição da floresta no Pará continua sendo impulsionada por um conjunto de atividades ilegais que se sobrepõem. A complexidade do cenário torna o combate ao crime ambiental um desafio constante para as autoridades. Entre os principais vetores da devastação, destacam-se:
- Grilagem de terras: a apropriação ilegal de áreas públicas, seguida da derrubada da floresta para simular posse e posterior venda, é um dos maiores motores do desmatamento.
- Expansão agropecuária: a conversão de áreas florestais para a criação de pastagens para o gado e, em menor escala, para a agricultura, continua sendo uma causa significativa da perda de vegetação.
- Extração de madeira ilegal: a exploração predatória de espécies de alto valor comercial alimenta um mercado clandestino e abre caminho para a degradação florestal.
- Garimpo ilegal: a atividade mineradora sem autorização, além de contaminar rios com mercúrio, provoca a derrubada de grandes extensões de mata para a abertura de cavas.
Operações combatem o crime ambiental
Os resultados positivos na redução do desmatamento estão diretamente ligados à intensificação das operações de fiscalização na região. A Polícia Federal, em conjunto com o Ibama e outros órgãos ambientais, tem realizado ações para desarticular as organizações criminosas que lucram com a devastação, por meio da apreensão de maquinários, como tratores e motosserras, e da aplicação de multas milionárias.
As investigações buscam não apenas identificar os executores do desmatamento em campo, mas também alcançar os mandantes e financiadores do esquema, que muitas vezes não estão na floresta. O foco é estrangular a cadeia econômica do crime ambiental, tornando a atividade economicamente inviável para os infratores. A destruição de equipamentos usados nos crimes, prevista em lei, é uma das estratégias para impedir a continuidade da derrubada.










