Se você se assustou com o preço do ovo no supermercado recentemente, saiba que essa sensação tem se tornado comum. As altas no valor do alimento, que atingiram picos históricos em 2025 e seguem voláteis em 2026, são resultado de uma combinação de fatores que começa bem antes de o produto chegar à sua mesa. A pressão sobre um dos itens mais básicos da cesta do brasileiro é explicada por três motivos principais.
A conta que começa no campo
O principal vilão por trás do encarecimento do ovo é o custo da ração, que representa a maior parte dos gastos do produtor. A alimentação das galinhas poedeiras é baseada principalmente em milho e farelo de soja, duas commodities com preços atrelados ao mercado internacional e à variação do dólar.
Quando esses grãos ficam mais caros, seja por questões climáticas que afetam as safras ou pela alta demanda externa, o custo de produção sobe inevitavelmente. Esse valor adicional é repassado em toda a cadeia produtiva, até chegar ao consumidor final na gôndola do supermercado.
O fantasma da gripe aviária
Outro ponto de pressão é a gripe aviária. Embora o Brasil mantenha um controle sanitário rigoroso e os principais polos de produção comercial não tenham sido atingidos, a presença de focos da doença em aves silvestres e de subsistência em alguns estados deixa o setor em alerta constante. Esse cenário obriga os produtores a investirem mais em biossegurança e medidas preventivas, o que também eleva os custos operacionais.
Além do cenário interno, a situação global também influencia os preços. Um surto severo da doença nos Estados Unidos entre 2024 e 2025, que levou ao abate de milhões de aves, aumentou a demanda externa pelo ovo brasileiro. Com o aumento das exportações, a oferta disponível no mercado nacional diminui, contribuindo para a valorização do produto nas gôndolas.
Ovo vira protagonista na mesa
A demanda pelo ovo consolidou-se em um patamar elevado nos últimos anos. Com o preço da carne bovina ainda alto para parte da população, muitas famílias brasileiras adotaram o ovo como principal fonte de proteína, por ser uma alternativa nutritiva e mais acessível. Esse padrão de consumo elevado, intensificado por fatores sazonais como a Quaresma e a volta às aulas, cria um desequilíbrio recorrente entre oferta e procura.
Essa tempestade perfeita, que une custos de produção mais altos, riscos sanitários, aumento das exportações e uma procura interna aquecida, impacta diretamente o bolso do consumidor. O reflexo é sentido não apenas nas compras do dia a dia, mas também em padarias, restaurantes e na indústria alimentícia, que dependem do ovo como matéria-prima essencial.









