A recente morte de uma criança em Louisiana, nos Estados Unidos, causada pela Naegleria fowleri, acendeu um alerta global sobre os perigos deste microrganismo. Conhecida popularmente como “ameba comedora de cérebro”, ela vive em ambientes de água doce e morna, como lagos, rios e fontes termais, e pode ser fatal se inalada.
A infecção ocorre de maneira rara, mas fulminante. Quando a água contaminada entra com força pelo nariz, geralmente durante mergulhos ou natação, a ameba viaja até o cérebro. Lá, ela causa uma doença chamada meningoencefalite amebiana primária (MAP), uma infecção que destrói o tecido cerebral e possui uma taxa de mortalidade superior a 97%, com apenas 4 sobreviventes entre os 180 casos registrados nos Estados Unidos desde 1937.
É fundamental esclarecer que não há risco ao engolir a água contaminada, pois o ácido estomacal elimina o parasita. O perigo está exclusivamente na entrada de água pelo nariz. No Brasil, não há registros públicos amplamente documentados de casos de MAP, embora a ameba possa estar presente em reservatórios de água doce em regiões de clima quente.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas iniciais da meningoencefalite amebiana primária podem ser confundidos com os de uma meningite bacteriana comum. Eles costumam aparecer de um a doze dias após a exposição à água contaminada. Os primeiros sinais incluem:
- dor de cabeça intensa e persistente;
- febre alta e náuseas ou vômitos;
- rigidez na nuca e sensibilidade à luz.
Com a progressão da doença, o quadro se agrava rapidamente, levando a confusão mental, falta de atenção, perda de equilíbrio, convulsões e alucinações. O diagnóstico precoce é difícil, o que contribui para a alta letalidade da infecção.
Recomendações para evitar a infecção
A prevenção é a principal ferramenta contra a Naegleria fowleri. Banhistas que frequentam rios, lagos, lagoas e outros locais de água doce parada ou com pouca correnteza, especialmente durante os meses mais quentes, devem adotar algumas precauções simples, mas eficazes:
- evite mergulhar ou pular na água, principalmente de cabeça, para reduzir a chance de a água entrar com força no nariz;
- use clipes ou protetores nasais ao nadar, ou mantenha a cabeça fora da água;
- não agite ou revira o sedimento no fundo de áreas rasas e quentes, onde a ameba pode se concentrar.










