A semaglutida, princípio ativo de medicamentos populares como Ozempic e Wegovy, se tornou um dos assuntos mais comentados quando o tema é emagrecimento. A alta procura, no entanto, acende um alerta sobre o crescente uso do fármaco por conta própria, uma prática que envolve sérios riscos à saúde.
No Brasil, o Ozempic foi aprovado pela Anvisa em 2018 para o tratamento de diabetes tipo 2, enquanto o Wegovy, que contém o mesmo princípio ativo em doses mais altas, recebeu aprovação para o tratamento da obesidade. Antes da chegada da versão específica para perda de peso, o uso “off-label” (fora da indicação da bula) do Ozempic se popularizou para este fim. Ambos agem como um análogo do hormônio GLP-1: retardam o esvaziamento do estômago e atuam em áreas do cérebro ligadas ao apetite e à saciedade, o que resulta na perda de peso. O problema começa quando essa ferramenta terapêutica é utilizada sem qualquer critério ou supervisão.
O consumo indiscriminado expõe o usuário a uma série de complicações que poderiam ser evitadas com acompanhamento profissional. A automedicação impede que um médico avalie o histórico do paciente, identifique possíveis contraindicações e ajuste a dosagem conforme a necessidade individual. Sem essa orientação, o tratamento se torna uma aposta perigosa.
Quais os riscos do uso sem receita?
A busca por resultados rápidos sem o devido cuidado pode ter um custo alto para o corpo. Os efeitos colaterais, que variam de leves a graves, tornam-se muito mais perigosos sem monitoramento. Entre as principais ameaças estão:
- Problemas gastrointestinais: náuseas, vômitos, diarreia e constipação são os efeitos mais comuns. Sem orientação, podem se intensificar e levar a quadros de desidratação e desequilíbrio eletrolítico.
- Pancreatite aguda: trata-se de uma inflamação grave e potencialmente fatal do pâncreas. O risco, embora não seja comum, aumenta com o uso inadequado do medicamento.
- Complicações na vesícula: o uso da semaglutida está associado a um maior risco de desenvolvimento de cálculos biliares, que podem exigir intervenção cirúrgica.
- Perda de massa magra: A perda de peso rápida, sem acompanhamento nutricional e prática de exercícios, pode levar à redução de massa magra, e não apenas de gordura. Embora esperado em processos de emagrecimento, o acompanhamento profissional é crucial para minimizar esse efeito e preservar a saúde muscular e o metabolismo.
- Hipoglicemia: a queda brusca do nível de açúcar no sangue pode ocorrer, principalmente se a pessoa já faz uso de outros medicamentos para diabetes.
O caminho correto para um tratamento seguro e eficaz sempre começa com uma consulta médica. É o profissional de saúde quem pode determinar se a semaglutida é adequada para o paciente, prescrever a dose correta e acompanhar de perto a evolução, garantindo que os benefícios superem os riscos.










