A jornada de trabalho de seis dias com uma folga, conhecida como escala 6×1, está mais perto do fim no Brasil. O senador Omar Aziz apresentou na quinta-feira (27), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o relatório favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue esse modelo, mantendo o texto original aprovado pela Câmara dos Deputados.
Para o setor de gastronomia, que inclui bares e restaurantes, a mudança representa uma verdadeira revolução na gestão de equipes. A decisão de Aziz de rejeitar emendas acelera a tramitação, e os empresários já começam a planejar como vão adaptar suas operações para garantir o atendimento, principalmente nos horários de pico e fins de semana.
Atualmente, a escala 6×1 é o pilar que sustenta o funcionamento de muitas cozinhas e salões. Com o fim desse regime, os estabelecimentos precisarão encontrar novas formas de organizar as folgas de seus funcionários sem criar buracos na equipe, o que poderia comprometer a qualidade do serviço e a experiência do cliente.
Como os restaurantes podem se adaptar com fim da escala 6×1
A transição exigirá planejamento e, em muitos casos, investimento. Com base em práticas comuns do setor e análise de mercado, algumas das principais estratégias em estudo para adequar os negócios à nova realidade incluem:
- Reorganização das escalas: a adoção de modelos como o 5×2, com dois dias de folga semanais, é a alternativa mais provável. Outra opção é a jornada 12×36, comum em outros setores, na qual o funcionário trabalha por 12 horas e descansa nas 36 horas seguintes.
- Contratação de mais funcionários: para cobrir as folgas extras, muitos restaurantes precisarão aumentar o quadro de pessoal. Essa solução, embora eficaz para a operação, representa um aumento direto nos custos com a folha de pagamento, um dos maiores desafios do setor.
- Investimento em tecnologia: a automação de processos pode ajudar a otimizar a mão de obra. Totens de autoatendimento, sistemas de pedidos por QR code e softwares de gestão mais eficientes podem liberar funcionários de tarefas repetitivas para focarem no atendimento ao cliente.
- Ajuste no horário de funcionamento: alguns estabelecimentos podem optar por fechar em dias de menor movimento, como segundas ou terças-feiras, para concentrar a equipe nos períodos de maior fluxo e garantir as folgas previstas em lei.
O principal desafio para os empresários será equilibrar o aumento dos custos operacionais com a necessidade de manter preços competitivos. Do lado dos trabalhadores, a expectativa é de mais qualidade de vida e tempo para o descanso, uma demanda antiga da categoria.
A proposta ainda precisa passar por votação no plenário do Senado antes de ser promulgada.









