A formação de um ciclone extratropical no Sul do Brasil acendeu, no início de setembro de 2026, um alerta vermelho para tempestades severas com risco de tornados em estados como Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Esse cenário, que traz ventos acima de 100 km/h, não é coincidência. O ciclone atua como um gigantesco motor atmosférico que cria as condições ideais para o surgimento de fenômenos extremos.
Um ciclone extratropical é uma vasta área de baixa pressão atmosférica. Ele funciona como um organizador de massas de ar, puxando para seu centro o ar que está ao redor. No caso atual, o sistema intensifica o avanço de uma frente fria vinda do sul, forçando o ar gelado e seco a colidir de forma violenta com uma massa de ar quente e úmida que já estava sobre o centro-sul do país.
É justamente nesse choque de gigantes que mora o perigo. A diferença extrema de temperatura e umidade entre as duas massas de ar gera uma instabilidade atmosférica explosiva. O ar quente, por ser mais leve, é empurrado para cima com uma velocidade impressionante, formando nuvens de tempestade muito profundas, conhecidas como cumulonimbus.
Como o ciclone ajuda a formar tornados?
A simples subida do ar quente não é suficiente para gerar um tornado. O ciclone adiciona um ingrediente crucial: a mudança na direção e na velocidade do vento em diferentes altitudes. Perto do solo, o vento pode soprar em uma direção, enquanto a milhares de metros de altura, ele sopra em outra, com muito mais força.
Essa diferença cria um efeito de “rolamento” no ar, gerando um tubo de ar giratório na horizontal. As fortes correntes de ar que sobem rapidamente dentro da tempestade podem sugar uma parte desse tubo e colocá-lo na vertical. Quando isso acontece, surge uma coluna de ar giratória que, ao tocar o solo, se transforma em um tornado.
O aumento da frequência desses alertas está ligado ao aquecimento global. Oceanos mais quentes fornecem mais umidade e energia para a atmosfera, funcionando como combustível para sistemas como ciclones e frentes frias. Com mais “combustível” disponível, as tempestades se tornam mais intensas e o ambiente, mais favorável à formação de eventos climáticos extremos como os tornados.









