A recente decisão do príncipe Harry e de Meghan Markle de buscar uma nova escola para os filhos no Reino Unido após apenas dois dias na instituição anterior, motivada por preocupações com a segurança, trouxe à tona uma questão central: como funciona a proteção para membros da família real que deixam suas funções oficiais? O casal, que retornou ao país em agosto de 2026 após seis anos na Califórnia, viu a situação ser intensificada por uma carta do rei Charles III, que reforçou o status deles como cidadãos privados, e pela notícia de que Meghan receberá, pela primeira vez desde que deixou a realeza, uma revisão de segurança apoiada pelo governo.
Enquanto atuava como um membro sênior da realeza, Harry, assim como outros integrantes da linha de frente da Coroa, recebia proteção 24 horas por dia. Esse serviço era financiado pelos contribuintes e executado por uma unidade de elite da Polícia Metropolitana de Londres, especializada na segurança de diplomatas e da família real.
A mudança no protocolo de segurança do Príncipe Harry e Meghan Markle
Ao se afastarem das funções oficiais em 2020 (há seis anos), o duque e a duquesa de Sussex perderam o direito automático a essa proteção policial no Reino Unido. A decisão de remover a escolta foi tomada pelo comitê governamental responsável por avaliar os riscos para figuras públicas, conhecido como RAVEC (Royal and VIP Executive Committee). A partir de então, a responsabilidade pela segurança do casal e de seus filhos passou a ser privada e financiada por eles mesmos.
Na prática, isso significa que, ao visitarem o Reino Unido, eles dependem de uma equipe particular. Essa segurança privada, no entanto, não possui as mesmas prerrogativas da polícia local, como o acesso a informações de inteligência do Estado, o poder de portar armas de fogo em público ou de fechar vias para garantir a passagem segura da família.
O que define quem recebe proteção?
A concessão de segurança financiada pelo Estado não é baseada apenas no laço familiar com o monarca, mas em uma avaliação de risco caso a caso. Os critérios analisados pelo comitê governamental incluem principalmente:
- a posição do indivíduo na linha de sucessão ao trono;
- o nível de engajamento em deveres públicos oficiais em nome da Coroa;
- a existência de ameaças específicas e atuais contra a pessoa.
O príncipe Harry contestou a decisão do governo britânico nos tribunais, mas perdeu uma apelação em 2025 sobre seus direitos à proteção policial financiada publicamente. Ele argumentou que, devido ao seu perfil e ao histórico de ameaças, sua família ainda enfrenta um risco elevado. O duque chegou a oferecer pagar do próprio bolso pela proteção policial, mas o pedido foi negado pelas autoridades, que sustentam que a polícia não pode ser um serviço “contratado” por particulares.
A posição do rei Charles III, tratando-os como cidadãos privados, apenas solidifica essa determinação. Para o protocolo real e para o governo britânico, a segurança de Harry e sua família, quando em solo britânico, é uma questão particular, e não mais uma obrigação do Estado.










