TELEVISÃO

Inocentado de acusação de racismo, homem processa Globo e Maju Coutinho

Kaíque Batista, acusado de racismo contra a jornalista em 2015, foi absolvido e pede indenização de R$ 800 mil por danos morais

Bruna Yamaguti*
postado em 16/10/2020 18:15
 (crédito: Reprodução)
(crédito: Reprodução)

Após ser absolvido de uma acusação de racismo, o auxiliar de produção Kaíque Batista, atualmente desempregado, entrou com uma ação na Justiça contra a emissora Rede Globo e contra a apresentadora do Jornal Hoje, Maju Coutinho. Em 2015, o rapaz foi um dos acusados de promover ataques racistas direcionados à jornalista e, desde então, responde ao processo em liberdade. Em março deste ano, ele foi inocentado por falta de provas e, agora, pede o valor indenizatório de R$ 800 mil por danos morais e materiais.

À época do ocorrido, o jovem de 21 anos foi levado por policiais militares e funcionários do Ministério Público de São Paulo para prestar depoimento ao Fórum Criminal da Barra Funda, e teve seus computadores e celulares apreendidos. Além do suposto crime de racismo, ele também foi denunciado por falsidade ideológica, injúria, corrupção de menores na internet e associação criminosa na internet.

O processo movido pela defesa de Kaíque Batista descreve a ação policial que ocorreu em dezembro de 2015, acompanhada e exibida pela Rede Globo. “Foi surpreendido quando, antes das 6 da manhã, uma equipe da Polícia adentrou o seu quarto, dentro da casa de sua mãe, com fuzis e metralhadoras, acompanhada de um Promotor de Justiça, Policiais e cineastas da Globo”, diz o documento, que continua: “O promotor participou da invasão com a polícia, deixaram a Rede Globo entrar nos aposentos, na casa, filmar a casa, e acompanhar o autor sendo conduzido para a viatura. Depois de inquirir a vítima por 6 horas o promotor entregou o autor para a Rede Globo”.

A ação afirma ainda que, na ocasião, o acusado não foi oficialmente intimado, nem teve direito de defesa. O advogado de Kaíque, Angelo Carbone, frisa a inocência do rapaz: “Os crimes de ódio, crimes raciais e contra as minorias são terríveis e os culpados devem sentir o crivo da Justiça. Mas o que não pode acontecer é condenar alguém sem provas ou condenar antes do processo e da sentença. Em tese, os responsáveis foram condenados, mas Kaíque sempre gritou inocência e teve sua casa invadida, foi apedrejado, insultado e teve que fugir, perdeu o emprego e adquiriu problemas psicológicos”, relata.

Procurada, a comunicação da Rede Globo afirmou que a emissora não se manifesta sobre assuntos sub judice.

*Estagiária sob supervisão de Fernando Jordão

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação