ARMAMENTO

Registros de arma de fogo aumentam 120% para caçadores, colecionadores e atiradores

Diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que aumento nos registros pode ser uma forma de burlar o Estatuto do Desarmamento

Sarah Teófilo
postado em 19/10/2020 18:11 / atualizado em 19/10/2020 20:04
 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 15/2/17)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 15/2/17)

De janeiro a agosto deste ano, houve um aumento de 120,3% no registro de armas para caçadores, atiradores e colecionadores (CACs) no Brasil em comparação com 2019. No ano passado, foram 225,3 mil registros, e neste ano, de janeiro a agosto, o número subiu para 496,2 mil. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta segunda-feira (19/10).

No total, são 2,2 milhões de registros ativos no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (SIGMA), do Exército brasileiro, que contabiliza, por exemplo, armas a policiais e bombeiros, além dos CACs, e no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal. Entre 2017 e 2019, houve um aumento de 65,6% de armas registradas nas categorias do Sinarm, responsável pelo registro a cidadãos.

Em 2019, segundo o anuário, eram 371,7 mil registros ativos na categoria “cidadão”, que é a categoria mais volumosa do sistema. Já órgãos e servidores públicos somavam 360,4 mil registros ativos. Empresas de segurança privada apresentaram 198.052 registros de armas de fogo ativos em 2019.

Distrito Federal

Segundo estudo, todos os estados tiveram aumento no número de registros ativos de armas de fogo. Mas o número mais expressivo foi no Distrito Federal, com um crescimento de 538,6%; e na Paraíba, onde o aumento foi de 112,9%. No caso do DF, há uma arma para cada 11 pessoas, sendo o estado mais armado no Brasil em números absolutos.

Diretor-presidente do Fórum, Renato Sérgio de Lima aponta que é pouco provável que o aumento entre os CACs seja em decorrência de um maior interesse por prática esportiva, seja caçador ou atirador. "A gente vê esse dado como uma forma de burlar o Estatuto do Desarmamento. Na prática, estamos perdendo o controle e o rastreamento, independentemente da arm ser permitida ou não”, afirma.

O pesquisador frisa que o controle de arma, sabendo o caminho do armamento, é a melhor forma de investigar um homicídio. Para ele, a quantidade de decretos do governo federal publicados no ano passado fragilizam o controle sobre os armamentos.

Em meio a este aumento, houve uma redução de 0,3% do número de armas apreendidas por polícias estaduais em 2019 em relação a 2018. Conforme o pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que realiza o estudo, Ivan Marques, a queda de apreensão, em meio a um aumento de número de registros de armas, “historicamente observa-se que parte dessas armas migra do mercado legal para o ilegal, infere-se que a diminuição das apreensões é também sinal de redução de interesse neste tipo de operação”.

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