QUEIMADAS

Bolsonaro quer sobrevoar Amazônia com diplomatas para mostrar que não há incêndios

Segundo o presidente, não há "nada queimando" na floresta Amazônica ou sequer um hectare de "selva devastada" no bioma

Augusto Fernandes
postado em 22/10/2020 14:31 / atualizado em 22/10/2020 17:48
 (crédito: José Cruz/Agência Brasil)
(crédito: José Cruz/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro disse, nesta quinta-feira (22/10), que pretende sobrevoar um trecho da Amazônia com diplomatas de outros países para mostrar aos estrangeiros que não há incêndios no bioma.

Ao discursar em uma cerimônia de formatura de alunos do Instituto Rio Branco, o mandatário pediu aos estudantes que levem “a verdade lá para fora quando se fala da nossa Amazônia” e anunciou que convidaria diplomatas de outras nações para que eles próprios vejam que não existem focos de incêndio na floresta Amazônica.

“Estamos ultimando uma viagem Manaus-Boa Vista, onde convidaremos diplomatas de outros países para mostrar, naquela curta viagem de 1 hora e meia, que não verão em nossa floresta Amazônica nada queimando ou sequer um hectare de selva devastada. Não é fácil levar e falar a verdade, mas nós confiamos em vocês. Nós temos que lutar por aquilo que é nosso. Não podemos ceder.”

Apesar da afirmação de Bolsonaro, a Amazônia registrou mais focos de incêndio entre janeiro e outubro deste ano do que no mesmo intervalo de 2019. Segundo informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 1º de janeiro até quarta-feira (21/10), eram 89.136 pontos de queimada no bioma, 25% a mais do que no mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 70.922.

Os dados do Inpe mostram que a quantidade de queimadas na floresta Amazônica em 2020 é a maior desde 2010. Naquele ano, o instituto tinha mapeado 114.076 focos de calor de 1º de janeiro a 21 de outubro.

Ibama cessa ações

Antes das declarações de Bolsonaro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ordenou que todos os agentes de combate a incêndio que atuam na Amazônia devem interromper os trabalhos a partir da meia-noite desta quinta. O órgão alegou "indisponibilidade financeira" para fechar o mês de outubro.

A decisão partiu da Diretoria de Proteção Ambiental, que opera o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, e também vale para as equipes que trabalham no Pantanal.

Quem assinou o documento foi o chefe do Centro Especializado Prevfogo, Ricardo Vianna Barreto. No texto, ele determinou "o recolhimento de todas as Brigadas de Incêndio Florestal do IBAMA para as suas respectivas Bases de origem, a partir das 00h00 (zero hora) do dia 22 de outubro de 2020, onde deverão permanecer aguardando ordens para atuação operacional em campo".

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