Racismo

Governador do RS sobre assassinato no Carrefour: "Cenas são incontestes"

"Houve excessos que deverão ser apurados e dada a consequência para este crime", declarou Eduardo Leite (PSDB) em entrevista

Correio Braziliense
postado em 20/11/2020 12:18 / atualizado em 20/11/2020 14:15
Eduardo Leite se pronunciou publicamente pela primeira vez sobre o assassinato na capital gaúcha no fim da manhã desta sexta -  (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press)
Eduardo Leite se pronunciou publicamente pela primeira vez sobre o assassinato na capital gaúcha no fim da manhã desta sexta - (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press)

O Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), se pronunciou no fim da manhã desta sexta-feira (20/11) sobre o assassinato de João Alberto Silveira Freitas por dois seguranças de uma unidade da rede Carrefour. Em entrevista ao canal GloboNews, Leite declarou que o crime indignou a todos. “Nós todos nos deparamos com cenas que nos deixam indignados pelo excesso de violência que levou à morte de um cidadão negro num supermercado aqui na capital gaúcha”, iniciou.

O governador afirmou também que "os excessos" serão apurados. “Todas as circunstâncias em que este crime aconteceu serão apuradas. Todo o esforço do Estado na apuração para que os responsáveis por este crime enfim enfrentem a Justiça, tendo a sua oportunidade da sua defesa, mas as cenas são incontestes de que houve excessos que deverão ser apurados e dada a consequência para este crime”, declarou.

Ele encerrou sua participação no noticiário dizendo que há uma equipe técnica do Comitê de Violência Racial, ligado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do estado, que acompanhará os desdobramentos “deste fato lamentável do dia 20 de novembro” junto a organizações da sociedade civil. “Nossa solidariedade aos familiares e aos amigos da vítima, do João, e a certeza que damos a ele e a todo o povo gaúcho de que a apuração será absolutamente rigorosa para que haja consequências deste ato lamentável”, concluiu.

“Revoltante”

Em nota enviada ao Correio, o Instituto Luís Gama — organização não governamental que luta pela garantia dos direitos da população negra no país — afirmou que é lamentável que, no dia em que o Brasil se dedica às reflexões sobre a temática racial, a principal notícia seja a de mais um homem negro brutalmente assassinado.

“Infelizmente mais um dia normal no noticiário brasileiro. Mas até quando vamos aceitar que esse tipo de situação não gere ações concretas pelo Estado, empresas e sociedade civil para prevenir e solucionar casos como esse?”, questiona o texto.

A publicação segue cobrando que toda a sociedade se mobilize para que o enfrentamento do problema na prática. “Não vamos sair desse ciclo vicioso enquanto não ocorrerem na sociedade mudanças profundas e concretas para dar fim a esse cenário de desigualdade racial. A população negra precisa de respeito e igualdade, e a sociedade precisa parar de normalizar o racismo”, conclama.

Leia a nota na íntegra:

É lamentável e revoltante que no Dia da Consciência Negra tenhamos que repercutir mais um fim trágico de um negro, que foi espancado até a morte em um supermercado, na madrugada do dia 19 de novembro, em Porto Alegre. Infelizmente mais um dia normal no noticiário brasileiro. Mas até quando vamos aceitar que esse tipo de situação não gere ações concretas pelo Estado, empresas e sociedade civil para prevenir e solucionar casos como esse?

Hoje, 20 de novembro de 2020, dia dedicado à reflexão da temática sob o ponto de vista de construirmos soluções, estamos mais uma vez debruçados sobre um fato aterrorizante e corriqueiro. Não vamos sair desse ciclo vicioso enquanto não ocorrerem na sociedade mudanças profundas e concretas para dar fim a esse cenário de desigualdade racial.

A população negra precisa de respeito e igualdade, e a sociedade precisa parar de normalizar o racismo.

Por isso, nesse dia triste, que lamentamos indignados a morte de mais um negro, deixamos um questionamento para uma reflexão em busca de respostas: o que você tem feito para combater o racismo?

*O Instituto Luiz Gama é uma organização não-governamental que tem por objetivo lutar contra o preconceito e pela defesa dos direitos e garantias fundamentais dos negros e das minorias no país.

O que diz o Carrefour:

"O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.

O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais."

O que diz a Brigada Militar

"Imediatamente após ter sido acionada para atendimento de ocorrência em supermercado da Capital, a Brigada Militar foi ao local e prendeu todos os envolvidos, inclusive o PM temporário, cuja conduta fora do horário de trabalho será avaliada com todos os rigores da lei. Cabe destacar ainda que o PM Temporário não estava em serviço policial, uma vez que suas atribuições são restritas, conforme a legislação, à execução de serviços internos, atividades administrativas e videomonitoramento, e, ainda, mediante convênio ou instrumento congênere, guarda externa de estabelecimentos penais e de prédios públicos. A Brigada Militar, como instituição dedicada à proteção e à segurança de toda a sociedade, reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos e garantias fundamentais, e seu total repúdio a quaisquer atos de violência, discriminação e racismo, intoleráveis e incompatíveis com a doutrina, missão e valores que a Instituição pratica e exige de seus profissionais em tempo integral."

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