PANDEMIA

Governadores divididos sobre plano nacional de vacinação contra a covid-19

Enquanto alguns gestores estaduais defendem que imunização seja iniciada ao mesmo tempo em todas as unidades da Federação, outros receiam em confiar na estratégia do governo federal

*Edis Henrique Peres
*Natália Bosco
postado em 09/12/2020 06:00
Aliado de Bolsonaro, Caiado critica plano de Doria -  (crédito: Isac N?brega/PR)
Aliado de Bolsonaro, Caiado critica plano de Doria - (crédito: Isac N?brega/PR)

Além do embate entre João Doria e o ministro Eduardo Pazuello, a reunião entre a Saúde e governadores, na terça-feira (8/12), revelou o desconforto de boa parte dos gestores estaduais com a intenção do estado de São Paulo de iniciar a imunização em janeiro, antecipando-se ao planejamento anunciado até aqui pelo governo federal.

Aliado do presidente Jair Bolsonaro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), criticou o colega paulista. “Nos preocupa o governador de São Paulo dizer que vai iniciar vacinação em 25 de janeiro. Isso coloca em jogo a credibilidade dos demais governadores. O plano nacional não é responsabilidade dos governadores”, afirmou Caiado.

Caiado citou um “desconforto enorme” após o anúncio de Doria. “Nunca vi na vida um estado querer sair na frente de outro”, completou Caiado, que é médico e enfrenta novo crescimento de casos de covid-19.

Para o governador de Goiás, Pazuello deixou claro que medidas estão sendo tomadas pelo governo federal e que cada governador está preocupado em fazer vacina chegar o mais rápido possível à população.

Outros governadores também relataram o compromisso do Ministério da Saúde. “Há uma possibilidade real de ter em janeiro bem mais vacinas do que estava previsto no Plano de São Paulo. E nisso vai permitir que a gente tenha vacina em São Paulo, mas vacina também em outros lugares do Brasil”, disse Wellington Dias (PT), governador do Piauí. Dias comentou não ser “razoável” um estado ficar à frente dos outros na vacinação contra a covid.

Ação no STF

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), assumiu uma postura ambígua. De um lado, criticou a iniciativa de São Paulo, apesar de se tratar de um governador tucano. “A considerar a tradição do Programa Nacional de Imunizações, não faz sentido abrir uma disputa entre os Estados e municípios ou que cada ente subnacional estabeleça uma política própria. Temos o PNI e este é o melhor caminho para viabilizar a vacinação de todos os brasileiros”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Leite disse ter entrado em contato com o Instituto Butantan, a fim de adquirir a CoronaVac para seu estado. “Eu tenho responsabilidade com 11,5 milhões de gaúchos, a gente não pode confiar, basear a política pública apenas na confiança. Eu pessoalmente confio na gestão do Pazuello dentro de tudo vivido até aqui. Mas observa-se o quanto se politizou o tema da vacina, e eu não posso gerar problemas à minha população a partir de uma confiança pessoal. Tenho planos de contingência, para frustração dessa confiança, dessa expectativa”, disse o governador.

Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, também tomou providências. Anunciou ter entrado com ação no Supremo Tribunal Federal com o objetivo de que estados possam adquirir diretamente vacinas contra o coronavírus autorizadas por agências sanitárias dos Estados Unidos, União Europeia, Japão e China.

*Estagiários sob supervisão de Carlos Alexandre de Souza

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