Pandemia

"Responsáveis pelas mortes em Manaus precisam ser punidos", diz procurador

Igor Martins, que coordena os trabalhos do MPF na capital do Amazonas, afirma que investigações sobre a falta de oxigênio em hospitais da capital amazonense estão sendo abertas para responsabilizar as autoridades que se omitiram diante do aumento de internações

Renato Souza
postado em 15/01/2021 11:55
 (crédito: MICHAEL DANTAS)
(crédito: MICHAEL DANTAS)

O procurador Igor Spindola, que está a frente das ações do Ministério Público Federal (MPF) no combate à pandemia no Amazonas, afirmou que as mortes que ocorreram em razão da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus serão investigadas. Igor afirma que informou colegas do Ministério Público sobre os óbitos para que sejam investigados delitos como improbidade administrativa.

A cidade passa por uma crise em razão do aumento intenso no número de pessoas internadas, ao mesmo tempo em que a quantidade de oxigênio enviado ao estado não aumentou. "Foram registradas mortes, e eu informei isso para outros colegas. É preciso ter uma investigação de improbidade. A minha preocupação no momento é buscar oxigênio", disse o procurador ao Correio.

A empresa White Martins, que fornece o oxigênio, destacou que o governo federal foi informado, com um mês de antecedência, do risco de ausência do gás em leitos de UTI e de emergência em razão do aumento de internações. No entanto, não forma tomadas providências suficientes para impedir o problema. "O terror que houve aqui ontem não deve se repetir. As ações judiciais já deram algum efeito. A União está se movimentando, a logística, que não existia, apareceu da noite para o dia, sendo que deveria ter aparecido antes. Mas o leite derramado a gente só consegue compensar punindo mesmo. Neste caso, precisa de uma investigação, e daí demora um pouco mais", completou Igor Spindola.

De acordo com o procurador, a situação ainda é grave, com falta de oxigênio em diversos locais. A expectativa é que a situação seja contornada com a chegada de suprimentos transportados de outros estados pela Força Aérea Brasileira (FAB). "O Hospital Universitário é federal, da universidade federal, onde as residências médicas acontecem. Eles deram um jeito de suprir o oxigênio até o dia de hoje, com a indústria local. Mas precisam receber o carregamento da White Martins e nós vamos acompanhar", disse.

Venezuela

A empresa White Martins informou que identificou a disponibilidade de oxigênio da Venezuela, e que começou a cuidar da logística para o transporte. "Ontem surgiu essa opção de chegada de oxigênio da Venezuela, pois é o único local possível de chegar por terra, em Manaus. Isso foi anunciado como uma medida do Estado da Venezuela, mas, na verdade, foi uma ação empresarial, da própria empresa. Ontem falaram que o oxigênio saiu de lá. Mas isso leva dois dias. Não sabemos a quantidade que vai chegar, mas vai chegar", completou Igor.

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