Coronavírus

"Não tinha como prever o que ocorreria em Manaus com essa cepa", diz Mourão

Sistema de Saúde na capital do Amazonas entrou em colapso com aumento de casos de covid-19 gerando falta de oxigênio nos hospitais e provocando morte de pacientes por asfixia

Sarah Teófilo
postado em 15/01/2021 13:16
 (crédito: Evaristo Sá/AFP)
(crédito: Evaristo Sá/AFP)

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), disse nesta sexta-feira (15/1) que não havia como prever a situação de colapso em Manaus (AM), que ele atribui à nova cepa do coronavírus identificada no estado. "Você não tinha como prever o que ia acontecer com essa cepa que está ocorrendo em Manaus. É totalmente diferente do que tinha acontecido no primeiro semestre (do ano passado)", afirmou a jornalistas.

O Ministério da Saúde confirmou nesta sexta-feira (15) ter sido notificado na última quarta (13) pelo estado sobre um caso confirmado de reinfecção pela nova cepa variante da covid-19. "No dia 12 de janeiro, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) do estado do Amazonas identificou uma variante do coronavírus em uma mulher de 29 anos de idade, com sintomas leves da doença", pontuou.

O sistema de saúde da capital amazonense entrou em colapso com o crescimento do número de infecções e com falta de oxigênio nas unidades de saúde. Uma das principais empresas fornecedores, a White Martins, disse em comunicado que havia informado no início do ano a situação aos governos federal e estadual. A situação tornou-se caótica na última quinta-feira (14), com relatos de pacientes morrendo asfixiados em leitos de internação.

Diante do colapso, o governo estadual anunciou a transferência de 235 pacientes. Nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que a transferência de 149 pacientes a oito capitais (São Luís, Teresina, João Pessoa, Natal, Goiânia, Fortaleza, Recife e Brasília), já estava garantida, e que se daria por via aérea. O transporte será feito em parceria com o Ministério da Defesa por duas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).

Questionado sobre medidas de fechamento completo das atividades ('lockdown') no Amazonas, o vice-presidente afirmou que "aí é um problema do governo estadual, da prefeitura". "Aí são eles que estão no terreiro e deveriam ter tomado as medidas necessárias no momento certo", disse.

Perguntado se acreditava que a medida era necessária, respondeu: "Não é nem questão de ter um 'lockdown', é você comunicar à população que ela tem que manter determinadas regras no intuito de não se contaminar numa velocidade tal que o sistema de saúde não consiga absorver. Aí você tem que entender a característica do nosso povo. O nosso povo não tem essa imposição de disciplina".

Na última quinta-feira (14), o governador Wilson Lima (PSC) decretou toque de recolher em Manaus das 19h às 6h para conter o avanço da covid-19.

"Além do que pode"

O vice-presidente disse ainda que o governo federal está fazendo “além do que pode” para combater a crise na capital do Amazonas. "O governo está fazendo além do que pode, dentro dos meios de que a gente dispõe”, afirmou. O general disse que "as coisas não são simples" na região, e que Manaus é a cidade mais populosa da Amazônia Ocidental. "Você só chega lá de barco ou de avião. Então, qualquer manobra logística para você, de uma hora pra outra, aumentar a quantidade de suprimentos lá, requer meios", disse.

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