Covid-19

Cepa do coronavírus no AM é três vezes mais contagiosa, diz Pazuello

Análise do Ministério da Saúde, segundo o chefe da pasta, confirmou a informação. Último boletim epidemiológico da OMS indica necessidade de mais estudos para avaliar se há mudanças na transmissibilidade

Bruna Lima
Maria Eduarda Cardim
postado em 11/02/2021 16:55
 (crédito: Tony Winston/MS)
(crédito: Tony Winston/MS)

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, informou nesta quinta-feira (11/2) que a variante do novo coronavírus originária no Amazonas (AM), é três vezes mais contagiosa do que o vírus original. Apesar disso, o general informou que “as vacinas têm resultado com essa variante”, sem detalhar qual imunizante demonstrou eficácia contra a nova cepa, apelidada de P.1. A informação foi dada por Pazuello durante pronunciamento inicial no plenário do Senado Federal.

“Comprovamos na nossa Amazônia, lá em Manaus, uma nova variante do vírus que se espalha pelo país, uma variante mais contagiosa. Graças a Deus tivemos a notícia clara da análise que as vacinas têm resultado com essa variante ainda. Era um trabalho que nós estávamos esperando chegar da análise do material colhido. Mas ela é mais contagiosa, na nossa análise três vezes mais contagiosa, os números triplicam em termos de contágio”, informou.

Na última segunda-feira (8/2), o Instituto Butantan informou que a vacina CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac em parceria com o instituto paulista, está sendo testada contra a variante do novo coronavírus originária no Amazonas (AM). Na ocasião, Covas indicou que em breve o Butantan terá esses resultados, mas até o momento, o instituto paulista não divulgou novas informações sobre esses testes.

O Correio questionou o Ministério da Saúde quais vacinas foram avaliadas contra a cepa amazônica, já que o ministro não citou nominalmente quais seriam os imunizantes que demonstraram eficácia contra a variante brasileira. A pasta ainda não respondeu.

Transmissibilidade

Na última coletiva de imprensa da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial de Saúde (OMS), a variante P.1 foi tema de debate. Apesar de indícios que associam a nova linhagem a uma dificuldade de desenvolver anticorpos contra a covid-19, o relatório da OMS indica que são necessários "estudos adicionais para avaliar se há mudanças na transmissibilidade, gravidade ou na ação dos anticorpos”.

No portfólio está a Covishield, conhecida popularmente como a vacina de Oxford/AstraZeneca e produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em recente documento de recomendação, a OMS frisou a eficácia e segurança da candidata, inclusive para as novas variantes que vêm circulando no Brasil e em outros países, como a África do Sul. Por meio desta recomendação, a Fiocruz tem manifestado a necessidade de aplicar a vacina, "independentemente de haver diferentes variantes do vírus circulando no local".

A diretora da Opas, Carissa Etienne, ressaltou que a recomendação pela vacinação continua. "Com base nas evidências que temos agora sobre as variantes preocupantes, estamos confiantes de que nosso portfólio crescente de vacinas covid-19 continua útil e nos guiará até o fim desta pandemia".

 

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