SAÚDE

Homens: o verdadeiro sexo frágil da saúde

Sete anos a menos de expectativa de vida. Esse é um dos preços pagos pela população de sexo masculino no Brasil por medo ou omissão em procurar ajuda médica, seja ela preventiva, seja ao perceber problemas que podem evoluir para a morte

» Fernanda Strickland* » Gabriela Bernardes*
postado em 17/07/2021 23:30
 (crédito: .)
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Machismo, medo ou simplesmente desleixo. Definir os motivos pelos quais os homens não cuidam da saúde na mesma medida que as mulheres é uma daquelas questões que só Freud, ou nem mesmo ele, pode explicar. Entre as consequências do descuido, uma expectativa de vida, em média, sete anos menor que a das mulheres, conforme revelam estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Brasil. Mas, infelizmente, não é apenas a corrida aos consultórios médicos que traz prejuízos à saúde masculina. Muitos problemas poderiam ser evitados a partir de uma atenção especial à higiene.

Na semana em que o Dia do Homem, 15 de julho, foi celebrado, o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL), criador da Campanha Novembro Azul, lançou a carta aberta aos gestores de saúde, parlamentares, agências reguladoras, operadoras de saúde e imprensa como forma de chamar atenção para o tema e cobrar ações efetivas em prol da saúde masculina no Brasil.

Por meio da carta, o instituto pretende ampliar o acesso dos homens às unidades de saúde e aos tratamentos disponíveis e às políticas públicas e de educação que contribuam para a diminuição das mortes na juventude; e para o crescimento da consciência de cada homem sobre a importância de cuidar do seu corpo e de sua mente.

Câncer de pênis
Se, para muitos homens, o maior tabu é procurar o proctologista e realizar o fatídico teste do toque, para tantos outros buscar auxílio ao perceber algum desconforto ou mudança na região peniana é ainda maior. De acordo com o Instituto Lado a Lado, no Brasil, cerca de 1,6 mil homens precisam amputar o órgão todos os anos, em virtude do câncer de pênis. A patologia tem maior incidência em indivíduos a partir dos 50 anos, mas que pode se desenvolver em qualquer faixa etária. Só em 2020, a enfermidade acometeu mais de 65 mil homens e, em 2019, matou cerca de 16 mil.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a manifestação clínica mais comum do câncer de pênis é uma ferida ou úlcera persistente, ou também uma tumoração localizada na glande, prepúcio ou corpo do pênis que, diferentemente do câncer de próstata, tem uma evolução silenciosa.

Marlene Oliveira, presidente do Lado a Lado pela Vida, explica que, muitas vezes, o paciente é resistente em buscar ajuda e realizar os exames e a doença acaba avançando: “O câncer de pênis é um câncer que, em muitos casos, é prevenível com higiene básica e acompanhamento médico frequente, por exemplo. Mas, quando falamos em saúde do homem, precisamos entender a resistência que ainda existe em procurar os serviços de saúde. O homem, às vezes, tem uma lesão, não procura atendimento, o quadro vai evoluindo e, quando ele enfim procura ajuda, já é uma fase mais avançada da doença e já não há muito o que fazer”, explica. Outro fator de risco são as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), principalmente o HPV. Diversos estudos indicam que este vírus costuma aparecer com o tumor.

Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revela que 55% dos homens acima de 40 anos deixaram de ir a alguma consulta durante a pandemia. “Se antes já era difícil fazer com que os homens tivessem algum protagonismo para cuidar da sua saúde, nesse período, as coisas complicaram, o que potencializou o cenário de diagnósticos tardios no país", afirma Marlene.

Números como esse já podiam ser observados em 2019, como nos dados da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo IBGE, que mostram que a proporção de mulheres que consultou um médico naquele ano foi superior à de homens (82% contra 69%), ainda que ambos os gêneros tenham taxas similares de cobertura em planos de saúde.

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