COVID-19

Alagoas, Bahia e Pará sofrem com faltas de seringas para vacina da Pfizer

Em audiência na Câmara, assessor técnico do Conass chama a atenção para mais um problema que pode impactar o andamento da imunização contra a covid-19

Gabriela Bernardes*
postado em 18/08/2021 06:00
 (crédito: JOSEPH PREZIOSO)
(crédito: JOSEPH PREZIOSO)

Pelo menos três unidades da Federação — Alagoas, Bahia e Pará — estão com falta de seringas para a aplicação da vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNTech. O alerta foi feito por Fernando Avendanho, assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em audiência pública na Comissão Externa do Enfrentamento à Covid, ontem, na Câmara dos Deputados. O imunizante americano é diluído e aplicado em 0,3 ml e precisa ser injetado com seringas de 1 ml.

Segundo Avendanho, o Ministério da Saúde não entrega os insumos com a mesma velocidade que repassa os imunizantes. “Não está sendo tão ágil quanto a entrega da vacina. Os estados já estão nos informando a dificuldade que estão tendo para poder distribuir a vacina, porque não tem insumo. Chegamos a um novo problema. Estamos muito preocupados com a questão de seringas e agulhas. Há uma falta de seringas de 1ml para aplicação da vacina da Pfizer”, alertou.

De acordo com o Conass, apesar da escassez das seringas, até agora não houve a interrupção da aplicação das doses. Porém, o problema se manifesta no momento em que o Ministério da Saúde avalia diminuir o intervalo de aplicação das doses da Pfizer — passará para 21 dias, como é previsto na bula, em vez dos atuais três meses.

A redução do tempo de aplicação deve ser decidida no próximo mês, quando a pasta calcula que terá distribuído vacinas suficientes, de todos os fabricantes incluído nos Programa Nacional de Imunização (PNI), para a aplicar a primeira dose em maiores de 18 anos. O conselho afirmou ao Correio que não tem qualquer aceno, para sanar o problema, da parte do Ministério da Saúde — que, procurado, não se manifestou até o fechamento desta edição.

Decisão judicial
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, também ontem, que a União assegure o envio das vacinas contra a covid-19 necessárias para que o estado de São Paulo complete a imunização de quem já tomou a primeira dose. Em sua decisão, o ministro considerou a necessidade de respeitar o intervalo entre as aplicações e o risco de escalada da crise sanitária com a circulação da variante Delta.

A liminar atende a um pedido do governador de São Paulo, João Doria, que decidiu levar ao STF o embate travado com o Ministério da Saúde em torno do repasse dos imunizantes. O tucano entrou com uma ação na semana passada para obrigar a União a restabelecer os critérios usados até o início do mês para a distribuição das doses.

A Procuradoria-Geral de São Paulo diz que a mudança nos parâmetros considerados para o rateio dos imunizantes retirou do estado 228 mil doses da vacina da Pfizer. O Ministério da Saúde, por sua vez, nega que a atualização dos critérios usados pela pasta tenha causado algum prejuízo.

O paulista afirma que a mudança foi feita de forma abrupta, sem motivação técnica e acabou interferindo no planejamento dos estados. Argumenta, ainda, que o contingente populacional, critério até então adotado pelo Ministério da Saúde, era “objetivo, justo e equânime”.

A liminar de Lewandowski, relator do processo, ainda deve ser submetida ao plenário do STF para uma decisão definitiva.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

País supera marca das 570 mil mortes

O Brasil alcançou a marca de 570.598 mortes pelo novo coronavírus. Entre segunda-feira e ontem, foram 1.106 óbitos causados pela covid-19, de acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). O levantamento, que compila dados de secretarias de Saúde dos 26 estados e do Distrito Federal, apontou ainda 37.613 novos registros da doença em 24 horas, com um total de 20.416.183 infectados desde o início da pandemia.

O Rio de Janeiro registrou 116 mortes por covid-19 e 4.925 novos casos da doença no período de 24 horas, segundo boletim divulgado pela secretaria estadual de Saúde. Até agora, 60.771 pessoas morreram em função do coronavírus no estado do Rio, que registra 1.088.188 casos da doença. A capital concentra tanto o maior número de mortes (31.131) como o maior número de casos no estado (424.475)

Seis municípios não têm mais vagas em Unidades de Terapia Intensiva para pacientes de covid-19. O estado tem 92 municípios, mas só parte deles têm UTI para pacientes de covid-19.

Por conta da direção contrária à contenção da pandemia tomada por São Paulo, a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) disse ver “com extrema preocupação” as novas medidas de flexibilização da quarentena no estado. A entidade, que reúne mais de 900 profissionais associados, alertou que a chamada “retomada segura” proposta pela administração João Doria pode gerar “uma nova onda” da covid-19, especialmente pela circulação da variante Delta.

“Compreendemos as necessidades econômicas e sociais de nossa população, manifestamos nossa contínua solidariedade àqueles que tiveram suas vidas e seus empregos destroçados pela pandemia. No entanto, entendemos que a abertura deveria ser mais gradual e lenta, face aos riscos representados pela variante delta do novo coronavírus”, diz a nota.

Desde ontem, todos os estabelecimentos comerciais paulistas — incluindo bares, restaurantes, shoppings e academias — passam a funcionar sem limites de horário ou capacidade para o atendimento presencial. As novas regras também permitem feiras corporativas, convenções, congressos, exposições em museus e eventos sociais, como casamentos, jantares, festas de debutantes e formaturas, mas mantêm a obrigatoriedade no uso de máscaras e distanciamento social.

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