IMIGRAÇÃO

Latino-americanos são maioria entre estrangeiros no Brasil nos últimos 10 anos

De 2011 a 2019, registrou-se 1.085.673 pessoas vinda de fora e, entre os imigrantes de longo termo — que fixam residência e se estabelecem por aqui

Bernardo Lima*
postado em 27/08/2021 06:00 / atualizado em 27/08/2021 06:59
 (crédito: Vivian Kelly Calmell/AE)
(crédito: Vivian Kelly Calmell/AE)

O Brasil continua sendo um país procurador por estrangeiros dispostos a fixar residência para construir uma nova vida. É o que mostra o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que disponibilizou, ontem, os dados do Registro Civil sobre imigrantes entre 2011 e 2019.

Os latino-americanos são a maioria daqueles que entraram no país durante a última década. De 2011 a 2019, registrou-se 1.085.673 pessoas vinda de fora e, entre os imigrantes de longo termo — que fixam residência e se estabelecem por aqui —, a Venezuela lidera (142.250 cidadãos), seguida de Paraguai (97.316), Bolívia (57.765), Haiti (54.182) e Colômbia (32.562). Somados, aqueles que vêm desses países representam 53% do total de registros.

Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira, coordenador de estatísticas do Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra, elaborado a partir de números fornecidos pela Polícia Federal) e pesquisador do IBGE, salienta que “a partir de 2010, o fluxo de imigração haitiana foi muito forte, devido ao momento de instabilidade que o país vivia. A segunda metade da década ficou marcada pela corrente venezuelana, que começou de maneira incipiente em 2015 e foi se intensificando ao longo da década”.

Tanto que, no final da última década, houve um grande crescimento de filhos de imigrantes venezuelanos. De 1.713 em 2018, saltou para 3.817 no ano seguinte. A Venezuela, aliás, lidera atualmente a taxa de brasileiros descendentes de país nascidos no país vizinho, ultrapassando a Bolívia — que teve a segunda maior taxa, de 3.285, em 2019.

O coordenador do OBMgra explicou que o perfil de migração ao Brasil mudou muito desde a virada do século: “Até os anos 1990 e meados de 2000, tínhamos basicamente uma migração de demanda por empregadores e pesquisadores vindos dos países desenvolvidos. Na segunda metade da última década, é uma migração de crise, independentemente do momento econômico. O fator determinante para o venezuelano foi a crise e o Brasil, por ser um país vizinho, mesmo não estando em um momento econômico positivo, passou a receber esses fluxos”, analisou.

*Estagiário sob a supervisão de Fabio Grecchi

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