Pandemia

Diminui a ocupação de UTIs para a covid-19, diz levantamento

Estudo da Fiocruz detecta queda de 32% no número de infecções nas duas últimas semanas. Resultado deve-se à vacinação

Tainá Andrade
Maria Eduarda Angeli*
postado em 26/03/2022 06:00
 (crédito: Getty Images)
(crédito: Getty Images)

A mais recente edição do Observatório Covid-19, elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontou pela primeira vez uma redução nos níveis de ocupação dos leitos de UTI destinados a adultos. Desde julho de 2020, as taxas eram acima de 60%, mas no período entre 6 e 19 de março todos os estados e o Distrito Federal saíram da zona de alerta de vagas preenchidas no Sistema Único de Saúde (SUS).

O levantamento registrou uma média de 42 mil casos diários nas duas últimas semanas, o que representou um decréscimo de 32% se comparado ao final de fevereiro e início de março. No mesmo período, o número de óbitos causados pela covid-19 caiu para aproximadamente 35% — média diária de 570 mortes.

26-03-Leitos de UTI
26-03-Leitos de UTI (foto: Valdo Virgo)

De acordo com os dados colhidos pela Fiocruz, a baixa na ocupação dos leitos é resultado do avanço da vacinação. O Observatório Covid-19 mostrou que 82% da população brasileira tomou a primeira dose, 74% com a vacinação completa e 34% vacinaram-se com a dose de reforço. "Esses dados permitem afirmar que a 'terceira onda' epidêmica no Brasil, com o predomínio da variante ômicron entre os casos, está em fase de extinção", salienta o estudo.

Cuidados

Mas os especialistas ressaltam que o cenário positivo não é um sinal para a diminuição dos cuidados para o controle da pandemia e, também, não é um indicativo para se concentrar em uma única medida preventiva. "A intensa circulação de pessoas nas ruas e o abandono do uso de máscaras podem criar situações de aumento para a circulação do vírus", alertam.

No início de 2022, a taxa de letalidade — ou seja, a proporção de casos notificados que evoluíram para óbito — era de 0,2%, mas voltou a aumentar, chegou a 1% e se manteve até o momento. Um fato novo foi o aumento da letalidade hospitalar entre adolescentes entre 10 e 19 anos. Ainda há estados que apresentam altas taxas de infecção, como Rondônia, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás. Os três últimos, aliás, mantém as maiores taxas de mortalidade pela covid-19.

O Distrito Federal é um dos locais com uma alta média (52%) de infecção se comparada com outras unidades da Federação. A infectologista Ana Helena Germoglio lembra que a taxa de transmissão em Brasília teve um crescimento nos últimos dias devido ao abrandamento no uso de máscaras. Ela concorda que vive-se um momento mais tranquilo da pandemia, mas adverte que cuidados individuais ainda precisam ser considerados.

"Apesar de ter todas as taxas de ocupação das UTIs estarem abaixo de 60%, ainda é preciso investir mais, principalmente nas pessoas que não tomaram a terceira dose. A aplicação de reforço é fundamental para que haja uma proteção contra a variante que está circulando agora", explicou.

Perfil

Segundo o Observatório Covid-19, 70% dos pacientes internados são homens, idosos, pardos ou pretos. Outra condição da permanência nas UTIs tem sido os problemas crônicos — cardiopatias, diabetes e obesidade são os mais frequentes.

A Fiocruz não teve acesso aos testes de diagnóstico mais recentes e, por isso, o levantamento não traz projeções sobre o comportamento pandêmico. É por meio desses dados que os especialistas antecipam a ocorrência de novos surtos da doença ou um retorno das pressões sobre os serviços de saúde.

Mesmo assim, o boletim indicou que é importante aproveitar a redução no número de casos e a sobra de vagas nas UTIs para se fazer uma readequação no serviço de saúde público. "Ao mesmo tempo, todo o sistema de saúde deve se valer do período de menor transmissão da covid-19 para readequar os serviços ao atendimento de demandas represadas durante as fases anteriores de alta de casos. Por exemplo: a distribuição estratégica de testes, a capacitação profissional para atividades de vigilância e cuidado, e o reforço da atenção primária de saúde, bem como o atendimento de síndromes pós-covid", ressalta o levantamento da Fiocruz.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

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