Agosto dourado

Amamentação no Brasil: um investimento a curto e a longo prazo

Apesar de estigmatizada, amamentação promove vínculos e proporciona segurança alimentar às crianças desde o início da vida

Objeto de inúmeros estudos científicos há anos, a amamentação, apesar de estigmatizada, promove vínculos e proporciona segurança alimentar às crianças desde o início da vida. O leite materno é a melhor alimentação para a nutrição e para as necessidades imunológicas de uma criança, com impactos imediatos, mas também com olhar para o futuro. É o que defende Marta Rocha, médica neonatologista e pediatra do Hospital Santa Lúcia e diretora da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências de Saúde (Fepecs).

Segundo a pediatra, o leite materno é o melhor produto imunológico para a criança. A recomendação mínima são seis meses de aleitamento, mas estipula-se que o período ideal vá até os dois anos de idade da criança. “Quanto mais tempo de amamentação, mais ganho para criança, e menos risco de obesidade, hipertensão ou problemas crônicos”, explica.

Apesar dos inúmeros benefícios à mulher, à criança e à sociedade, a amamentação ainda sofre com problemas, ora por falta de apoio familiar ora por problemas estruturais existentes no Brasil. Para mostrar a importância vital da amamentação na construção de uma saúde com base sólida, é promovido o Agosto Dourado, mês dedicado à intensificação das ações para promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.

A iniciativa foi criada em 2014 e sedimentada em 2017 a fim de garantir o direito da mãe de amamentar, a partir de ações educacionais que conscientizem a população a respeito do aleitamento.

“É importante conscientizar a sociedade sobre a importância educando e apoiando. Um dos objetivos é permitir o livre aleitamento, pois é um direito da mulher e da criança amamentar em qualquer lugar”, diz Miriam Oliveira, coordenadora dos Bancos de Leite Distrito Federal.

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Engajamento social

Miriam afirma que a produção para bancos de leite humano é uma prova de que há mais consciência em relação à necessidade nutricional infantil. O Distrito Federal é um exemplo no Brasil de acesso e armazenamento de leite humano. O processo não gera custos e funciona por meio de doações.

Porém, a gestora aponta que falta maior apoio do entorno da mulher e da criança, principalmente no mercado de trabalho. “Precisamos de empregadores, gestores, engajados e que não vejam a amamentação como um atraso, não divulguem mitos e apoiem as mulheres.”

Marta Rocha reforçou que a amamentação “não pode ser vista como a redução do trabalho”. “A mulher pode e tem o direito de ser mãe, lactar, criar seu filho, isso sem perder produtividade. Não é válido o argumento de queda econômica graças ao aleitamento materno no contexto empresarial. Temos que entender a amamentação como um investimento a longo prazo.”

“Outro aspecto pouco comentado é o benefício do aleitamento materno para as mulheres. Reduz a chance de câncer de mama, melhora a saúde imunológica da mãe, ajuda o ganho de peso, e diminui a possibilidade de problemas emocionais”, acrescenta Marta Rocha.

A campanha em agosto está atrelada à mulher e à criança, mas todos os envolvidos no processo podem participar e, sobretudo, apoiar de várias formas. Neste caso, questões como respeito à privacidade, acesso, mobilidade e conforto são essenciais para o exercício materno.

“Vale lembrar que o bebe e a mãe não precisam de plateia, precisam de apoio para aquele momento tão importante. Temos que incentivar para que vejam a amamentação como um ato normal, fisiológico”, defende Rocha.

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

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