A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso na manhã desta sexta-feira (12/9) em operação que investiga fraudes em descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas, esteve presente na casa do investigado e falou com a imprensa. Cleber Lopes afirmou que a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão do Careca do INSS “parte de premissas equivocadas” e será contestada.
“Identificamos nitidamente que há um erro de premissa na decisão. Ela parte de fatos que não estão adequadamente definidos”, disse Lopes ao reforçar que o cliente dele não tinha participação na coleta de dados de beneficiários nem no recrutamento de associados.
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Segundo ele, a empresa de Antunes apenas prestava serviços terceirizados para associações, de forma contratual. O advogado também rebateu a acusação de que Antunes atuava como lobista entre dirigentes do INSS e associações. “No Brasil, a palavra lobby virou sinônimo de corrupção, mas isso não é correto. Exercer influência dentro de um contrato de prestação de serviços não significa prática criminosa”, afirmou.
O advogado também criticou as provas apresentadas até agora pela investigação da PF sobre os descontos ilegais de aposentados e pensionistas. “Até agora ninguém conseguiu dizer quais aposentados foram de fato fraudados. Fala-se em bilhões, mas não há um número exato de vítimas. É preciso transparência. Não podemos aceitar uma acusação baseada apenas em narrativas”, declarou.
Lopes classificou a prisão como “drástica e invasiva” e disse acreditar que, após a apresentação dos documentos reunidos pela defesa, o STF deverá reconsiderar a decisão. O advogado disse ainda que a defesa recebeu a decisão com surpresa. “Desde que assumimos o caso, todas as medidas foram tomadas de maneira republicana, com autorização judicial para cada deslocamento e plena colaboração com a Justiça. Por isso, estamos todos perplexos com a prisão”, afirmou.
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