VIRADA

Réveillon no Rio de Janeiro teve 547 resgates após ressaca

Celebrações não tiveram incidentes graves no país. No Rio, porém, mar agitado e desatenção elevaram número de salvamentos

O ano-novo foi recebido com festa nas principais cidades brasileiras. Milhões de pessoas participaram das celebrações oficiais, que contaram com shows de artistas famosos, queimas de fogos e até apresentações com drones.

De forma geral, a virada ocorreu sem incidentes graves nas principais cidades. No Rio de Janeiro, porém, chamou atenção o grande número de ocorrências de afogamentos e resgates nas praias fluminenses: ao menos 574 pessoas precisaram de salvamento apenas na capital durante a celebração.

As fortes ondas que atingiram o litoral e o desrespeito a orientações de segurança contribuíram para o número. Até o momento, um adolescente está desaparecido e um homem foi levado ao hospital em estado grave. Além dos afogamentos, a maioria dos casos envolveu furtos, irregularidades nas festas de fim de ano e ocorrências de trânsito.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, ocorreu a maior celebração de réveillon do mundo, com 5,1 milhões de pessoas em 13 palcos espalhados por toda a capital fluminense. A principal festa foi em Copacabana, que reuniu 2,6 milhões de pessoas, segundo a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur).

Ela contou com shows de cantores como Gilberto Gil, Belo, João Gomes, Alok e Ney Matogrosso, entre outros. Já a queima de fogos no Rio, à meia-noite, foi a maior já realizada, com 19 balsas espalhadas pelo litoral e 10 minutos de duração Em Icaraí, Niterói, a celebração atingiu um público recorde de 700 mil pessoas, na Praia de Icaraí.

A festa teve shows de Nando Reis, Ludmilla e da escola de samba Viradouro, além de uma operação com 2.500 profissionais, entre policiais, produção, especialistas em saúde e agentes de trânsito. O show de fogos durou cerca de 16 minutos. Segundo a Secretaria de Saúde da cidade, foram 153 atendimentos durante a virada, mas sem casos graves.

As celebrações de ano-novo no Rio de Janeiro, porém, ocorreram sob condições perigosas para os banhistas, e ao menos 547 pessoas foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros nas praias fluminenses. Para comparação, na virada anterior, entre 2024 e 2025, foram apenas 29 salvamentos. Em Copacabana, onde ocorreu a maior festa, foram 248 salvamentos registrados.

Um adolescente de 14 anos, natural de Campinas, segue desaparecido até o fechamento desta edição. Em Ipanema, um homem que se afogou foi levado em estado grave ao Hospital Miguel Couto, de helicóptero. Na véspera das festas, a Marinha emitiu um alerta de ressaca com ondas de até 2,5 metros, entre 31 de dezembro e a manhã de ontem.

Já a Defesa Civil disparou avisos, diretamente nos celulares dos moradores, para que não entrassem no mar durante as festividades, especialmente à noite. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram as ondas, inclusive, próximas a um dos palcos montados para a virada. Em todo o estado, foram 1.339 afogamentos.

Segundo o porta-voz dos Bombeiros, tenente-coronel Fábio Contreiras, as orientações de segurança foram ignoradas por parte dos banhistas, o que levou ao grande aumento no número de resgates. "Tomadas pelo calor em dia muito quente, realmente não seguiram as orientações dos guarda-vidas, não respeitaram as cores das bandeiras e, muitas vezes, entram no mar mesmo depois dos guarda-vidas apitarem e acabam se afogando", disse.

A corporação havia orientado, nos dias anteriores ao réveillon, para que as pessoas evitassem até mesmo a tradição de pular sete ondas na virada, devido ao perigo. Mesmo com o fim do alerta de ressaca, o mar permanece agitado — e assim deve ficar até domingo — dificultando a operação de resgate do adolescente em Copacabana. Além dos resgates de banhistas, os bombeiros também localizaram 35 crianças perdidas nas praias.

Houve ainda ocorrências de roubos e irregularidades durante as festas. Em Copacabana, uma mulher grávida foi detida com 29 celulares, uma máquina fotográfica e uma carteira roubados após um início de arrastão, por volta das 3 da manhã.

Outros três suspeitos de crimes foram presos pela Polícia Militar na mesma praia, e outro foi detido na Barra da Tijuca, mas liberado em seguida.

Foram apreendidos ainda nas praias da capital fluminense cinco toneladas de gelo e duas toneladas de frutas, centenas de garrafas de vidro, cinco churrasqueiras e cinco estruturas de banheiros irregulares, além de mais de 30 barracas e triciclos. No trânsito, 120 veículos foram rebocados entre os dias 30 e 1º, 1.550 multas foram aplicadas apenas no dia 31.

São Paulo

Em São Paulo, a festa principal foi na Avenida Paulista, que contou com 14 horas de shows de artistas, como Ana Castela, João Gomes, Belo, Simone Mendes e Latino. Não houve contagem de público, mas a celebração estava lotada. As apresentações começaram ainda com shows religiosos de Colo de Deus, Frei Gilson e padre Marcelo Rossi. A segurança foi reforçada por 4.500 agentes, segundo a prefeitura paulista, e não houve incidentes graves registrados. A queima de fogos durou 15 minutos.

Durante a virada do ano, à meia-noite, porém, quatro criminosos armados renderam dois vigilantes e roubaram um laboratório da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Foram levados oito bobinas com fios de cobre, 80 metros de cabos de plástico, e aparelhos celulares dos vigias.

Balneário Camboriú

Em Balneário Camboriú, Santa Catarina, o réveillon reuniu mais de 1 milhão de pessoas, de acordo com a prefeitura. Foram 15 minutos de queimas de fogos, com 16 tipos de explosivos diferentes, lançados de oito balsas.

Cerca de 9 toneladas de material foram queimadas para a apresentação. Não houve shows. Ainda segundo a administração da cidade, não houve registros de ocorrências graves. No trânsito, foram 188 casos como estacionamento irregular e condução de motoristas embriagados. Também ocorreram 47 atendimentos de saúde durante a virada.

A festa ocorreu em meio a fortes chuvas na cidade, que deixaram parte de Balneário alagada nos dias anteriores. Porém, no ano-novo, o tempo ficou firme.

Salvador

Em Salvador, Bahia, a contagem regressiva para 2026 ficou a cargo da cantora Ivete Sangalo, na Arena O Canto da Cidade. Houve apresentações ainda da dupla Jorge e Mateus e de  Xanddy Harmonia. O Festival Virada Salvador 2026 terá cinco dias de duração.

Nos três primeiros, reuniu 550 mil pessoas. A expectativa é que o público total chegue a 2 milhões. Já a queima de fogos foi espalhada pela capital baiana, em 23 pontos. O principal foi na Boca do Rio, com 10 minutos de duração e seis toneladas de fogos. 

Belo Horizonte

Na capital mineira, a Virada da Liberdade reuniu 30 mil pessoas, sendo a maior edição do evento já registrada. Além da queima de fogos, com 5.500 disparos, de acordo com o governo municipal, houve ainda um show com 300 drones, que desenharam símbolos do estado como o queijo, pão de queijo, o estádio Mineirão, montanhas e café. A festa homenageou ainda o cantor Lô Borges, falecido em novembro de 2025. (Com Agência Brasil)

Mais Lidas