GOIÁS

Vídeos gravados por corretora revelam 'armadilha' em Caldas Novas

Análise de vídeos, apagão e intervalo de oito minutos sem circulação foram decisivos para a conclusão da investigação do assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza

Novos detalhes divulgados pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) indicam que o homicídio da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi resultado de uma ação planejada, com uso deliberado do desligamento de energia para atrair a vítima ao subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas. As informações foram apresentadas nesta quarta-feira (28/1), durante coletiva de imprensa da PCGO.

Segundo os investigadores, Daiane gravou três vídeos com o celular ao perceber a suposta falta de energia no apartamento. Dois deles foram gravados e enviados imediatamente para uma amiga, mostrando que apenas a unidade da corretora estava sem luz, enquanto elevadores, corredores e áreas comuns permaneciam iluminados. O terceiro vídeo chegou a ser gravado, mas não foi enviado, o que, para a polícia, indica o momento exato em que a vítima foi interrompida.

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A análise das câmeras de segurança revelou ainda um intervalo de cerca de oito minutos sem circulação de terceiros no subsolo do prédio no horário do desaparecimento. Esse lapso temporal foi considerado determinante para a conclusão da autoria, já que não houve registro de entrada ou saída de outras pessoas durante o período crítico.

De acordo com a Polícia Civil, o desligamento da energia não foi um fato isolado. Testemunhas relataram que a prática já teria sido utilizada em outras ocasiões pelo síndico do edifício, Cléber Rosa de Oliveira, o que reforçou a suspeita de premeditação. A investigação apontou que o autor tinha pleno acesso às áreas técnicas do prédio, conhecimento do sistema elétrico e controle sobre o circuito de câmeras.

Outro ponto revelado na coletiva foi que a localização do corpo da vítima ocorreu após Cléber indicar o local exato onde o cadáver havia sido ocultado. O corpo foi encontrado em uma área de mata a aproximadamente 15km de Caldas Novas, em uma região de difícil acesso. A polícia informou que o transporte teria sido feito com o próprio veículo do investigado.

A PCGO também destacou que o filho do principal suspeito, Maykon Douglas de Oliveira, segue sendo investigado por obstrução das investigações, incluindo a possível destruição de provas e a troca de aparelhos celulares logo após o desaparecimento da corretora. A participação dele ainda será aprofundada ao longo do inquérito.

As autoridades reforçaram que o sigilo mantido durante parte da investigação foi necessário para garantir a coleta de provas técnicas e evitar prejuízos ao trabalho policial. O material reunido será encaminhado ao Ministério Público, que dará andamento às medidas judiciais cabíveis.

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