
Um lutador de boxe amador morreu na noite dessa terça-feira (10/2) depois de agredir dois policiais militares em Betim (MG), Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a mãe, Natanael dos Reis Mello, de 29 anos, tinha depressão e fazia uso de drogas.
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais faziam uma ronda no bairro Jardim Perla, conhecido pelo tráfico de drogas, quando viram dois homens sentados em uma praça. Eles se aproximaram para realizar abordagem e Natanael passou a agir de forma hostil, se recusando a colocar as mãos na cabeça.
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Ao ser questionado sobre o uso de drogas, o lutador tirou um cigarro de maconha do bolso e jogou no chão. Quando o sargento se aproximou para efetuar a busca, ele reagiu e se colocou em posição de luta, declarando “Você não vai pôr a mão em mim”.
Quando Natanael avançou, um dos militares utilizou uma arma de eletrochoque, que o atingiu no peito. Ele, contudo, não foi contido e agrediu o policial no nariz e no olho com socos. Diante da cena, o segundo militar pegou uma arma com projéteis de borracha e deu ordem para que o lutador parasse. Como ele seguiu com as agressões, disparou no abdômen do jovem que, mesmo depois de ser atingido, tentou pegar a arma do policial.
O jovem foi contido por disparos de pistola no abdômen e no tórax. O lutador foi socorrido pelos militares e levado até a UPA Teresópolis, onde recebeu atendimento médico. Entretanto, não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Na unidade de atendimento, o jovem que estava na praça com Natanael confirmou à PM que os dois tinham acabado de comprar maconha para consumo próprio. Com ele foram encontrados dois cigarros da substância. A mãe do lutador declarou que o filho usava drogas e sofria com depressão, mas havia interrompido o tratamento por conta própria.
Morte no Sul de Minas
Esta é a segunda morte relacionada com abordagem policial em uma semana. Na quinta-feira (5/2), um adolescente de 17 anos colocou fogo em uma viatura da Polícia Militar em frente a um quartel em Elói Mendes, Sul do estado. Ao ser abordado, sacou uma arma e resistiu. Os dois policiais, então, efetuaram disparos atingindo o jovem no quadril, nas coxas, no braço e no tórax.
Ele foi socorrido e levado ao Hospital Nossa Senhora da Piedade, em Elói Mendes, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã seguinte.
A arma foi encaminhada à Polícia Civil. A perícia também recolheu materiais que podem ter sido usados no crime, como uma garrafa PET, um isqueiro e munições. A mãe do adolescente, entretanto, contestou a versão apresentada pela corporação e afirmou que o seu filho não estava armado: "Falaram que ele estava com uma arma, mas eu quero saber onde está essa arma".
