Patrimônio cultural

Conheça o primeiro quilombo tombado pelo Iphan no Brasil

Reconhecimento federal protege território histórico em Campo Grande e reforça preservação da memória afro-brasileira

Um dos principais marcos culturais da comunidade é a Igreja de São Benedito, construída em 1919 -  (crédito: Reprodução/Andre Lopes)
Um dos principais marcos culturais da comunidade é a Igreja de São Benedito, construída em 1919 - (crédito: Reprodução/Andre Lopes)

A Comunidade Tia Eva, localizada em Campo Grande (MS), passou a integrar oficialmente o patrimônio cultural brasileiro ao ser reconhecida como o primeiro quilombo do país a receber tombamento federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A decisão, aprovada pelo Conselho Consultivo do órgão e publicada em portaria no Diário Oficial da União, inaugura um novo registro patrimonial criado especificamente para territórios quilombolas.

O reconhecimento representa um marco para a preservação da memória afro-brasileira. Com o tombamento, também foi divulgado um mapa oficial que delimita a área da comunidade que passa a ter proteção do governo federal.

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A comunidade Tia Eva fica na região urbana de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, e reúne cerca de 250 famílias. Os moradores são descendentes da própria Eva, mulher negra que deu origem ao território no início do século XX.

O espaço se desenvolveu a partir da história de Eva Maria de Jesus, conhecida como Tia Eva. Nascida no século XIX, ela viveu em condição de escravidão e posteriormente se estabeleceu na região após conquistar liberdade. A líder comunitária ficou conhecida por sua atuação religiosa e por reunir familiares e outras pessoas negras em torno da construção de um território próprio.

Ao longo do tempo, a comunidade cresceu como um espaço de preservação de tradições culturais, religiosas e familiares. A rua principal da área recebeu o nome de Eva Maria de Jesus em homenagem à fundadora.

Proteção e preservação

O pedido de tombamento partiu da própria comunidade. Após a solicitação, técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional iniciaram um processo de levantamento histórico e cultural do território.

Durante cerca de dois anos, pesquisadores e moradores trabalharam juntos na identificação de elementos considerados fundamentais para a memória da comunidade. Foram catalogadas tradições, histórias familiares, celebrações religiosas e espaços considerados simbólicos pelos descendentes.

Com base nesse levantamento, o Conselho Consultivo decidiu reconhecer oficialmente a área como patrimônio cultural brasileiro, inscrevendo-a no recém-criado livro de tombo voltado a territórios quilombolas.

O tombamento garante proteção federal ao território e estabelece diretrizes para preservar as referências culturais da comunidade. A medida também fortalece a presença do Estado no acompanhamento das ações voltadas à preservação das tradições locais.

Marco para quilombos no país

O reconhecimento da Comunidade Tia Eva marca um avanço para os territórios quilombolas no Brasil. Ao inaugurar o livro de tombo específico para essas comunidades, o Iphan estabelece um instrumento que garante registro e proteção de forma mais adequada às suas características históricas e culturais.

Esse precedente abre caminho para que outros quilombos sejam incorporados ao novo livro de Tombo, ampliando a valorização e a proteção da memória afro-brasileira em todo o país.

*Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia

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postado em 11/03/2026 15:07
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