Meio ambiente

Audiência pública discute liberação de mineração na Chapada dos Veadeiros

Nesta terça-feira (20/5), a partir das 9h, evento na Assembleia Legislativa de Goiás debate a alteração do plano de manejo da APA de Pouso Alto para possível exploração de minerais críticos pela indústria de alta tecnologia e parcerias com outros países

Chapada dos Veadeiros preserva grande área de Cerrado, bioma em crescente risco de extinção, além de nascentes e rios que contribuem com relevantes bacias hidrográficas do país -  (crédito: Reprodução da internet)
Chapada dos Veadeiros preserva grande área de Cerrado, bioma em crescente risco de extinção, além de nascentes e rios que contribuem com relevantes bacias hidrográficas do país - (crédito: Reprodução da internet)

Território considerado santuário ecológico por turistas e ambientalistas de todo o mundo, a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, atravessa um período de intenso debate, que deve se intensificar progressivamente nos próximos meses. A região é alvo de fortes interesses econômicos para a exploração dos chamados 'minerais raros', componentes químicos usados pela indústria de alta tecnologia. Nesta terça-feira (20/5), a partir das 9h, na Assembleia Legislativa estadual (Alego), em Goiânia, uma audiência pública com a participação de diversos estudiosos do tema pretende pontuar e esclarecer algumas polêmicas sobre as discussões em andamento. O evento terá transmissão ao vivo pelo YouTube.

Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Alego e coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Chapada dos Veadeiros, o deputado estadual Antônio Gomide (PT) é o autor da proposta para a realização da audiência pública. Segundo o parlamentar, o momento exige cautela e mobilização social para resguardar uma significativa área remanescente do Cerrado, bioma em crescente risco de extinção, além de nascentes e rios que contribuem com relevantes bacias hidrográficas do país. 

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"Diante da gravidade desse tema, estamos apresentando um requerimento solicitando a realização de uma audiência pública. Entendemos que a Chapada dos Veadeiros precisa ser protegida. Estamos falando de uma das regiões ambientais mais importantes do Brasil e reconhecida mundialmente pela biodiversidade, pelas nascentes, comunidades tradicionais e pela importância do Cerrado para o equilíbrio ambiental do nosso país”, argumentou Gomide.

“O Cerrado já sofre pressão de todos os lados, todos os dias. A Chapada não pode pagar esse preço. Não podemos tratar uma área tão sensível apenas pela lógica econômica. A água não se recupera, nascente destruídas não voltam da noite para o dia. Quero mais uma vez fazer a defesa para que esse debate aconteça com ampla participação popular, ouvindo pesquisadores, moradores, ambientalistas e toda a sociedade goiana”, acrescentou o parlamentar petista.

Antônio Gomide (PT), deputado estadual de Goiás. Agosto de 2023
Deputado Antônio Gomide: "Não podemos tratar uma área tão sensível apenas pela lógica econômica" (foto: Gabinete parlamentar/Divulgação)
 

Revisão do plano de manejo

Dois movimentos recentes do governo goiano, na época ainda sob comando de Ronaldo Caiado (PSD), que renunciou ao Palácio das Esmeraldas para lançar pré-candidatura à Presidência da República, fizeram aumentar o temor de que empreendimentos de mineração possam impactar negativamente a paisagem da Chapada dos Veadeiros. Ainda no ano passado, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semad/GO) iniciou o processo de revisão do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto. A unidade de conservação abrange os cinco municípios que compõem a região: Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Colinas do Sul, Nova Roma, São João D’Aliança e Teresina de Goiás. 

Outra movimentação controversa foi a assinatura do memorando de entendimento entre Goiás e Estados Unidos, em março deste ano, para promover a pesquisa e a exploração de minerais críticos no estado. A manobra provocou críticas do governo federal, que apontou afronta à soberania nacional e a normas definidas na Constituição do país, pois a União teria monopólio para ações sobre o tema. No mês seguinte, a empresa estadunidense USA Rare Earth anunciou a compra da mineradora Serra Verde, no município de Minaçu (GO), para exploração de terras raras, em operação estimada em US$ 2,8 bilhões. 

Diante das recentes polêmicas, o Ministério Público de Goiás (MPGO) pediu à Justiça a anulação das decisões tomadas pelo Conselho Consultivo da APA de Pouso Alto desde 2017. A promotoria afirma que o setor econômico detém “maioria permanente” nas votações, o que compromete a proteção ambiental da região. O caso tramita na 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia. Não há data prevista para julgamento. Enquanto isso, ambientalistas temem que novas medidas fragilizem ainda mais a proteção à Chapada dos Veadeiros.

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postado em 19/05/2026 18:21 / atualizado em 20/05/2026 00:59
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