
A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo investiga um caso suspeito de vírus ebola na capital paulista. Trata-se de um paciente de 37 anos, que esteve na República Democrática do Congo e apresentou febre e outros sintomas compatíveis com a doença.
O paciente está em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e segue protocolos de biossegurança para casos do tipo. A secretaria afirmou, ontem, ao Correio que ainda não há confirmação laboratorial da doença e que a investigação foi iniciada de forma preventiva.
"Este é um caso suspeito, em investigação. As medidas previstas foram adotadas a partir da identificação dos critérios clínicos e epidemiológicos. O procedimento inclui isolamento, notificação imediata, investigação laboratorial e monitoramento conforme os protocolos vigentes", afirmou Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo.
O paciente também está sendo testado para diversas outras doenças, sobretudo pela similaridade dos sintomas, como a malária.
Propagação para Uganda
O mais recente balanço, divulgado na última sexta-feira, pela Organização Mundial da Saúde sobre o surto de ebola originado no norte da República Democrática do Congo reflete uma epidemia viral "que continua evoluindo rapidamente e aumentando em número de casos, extensão geográfica e transmissão transfronteiriça" para o território ugandense: há 18 mortos e 134 casos confirmados, mas estão sendo investigados como suspeitos um total de 223 óbitos e 906 ocorrências.
Desde o último balanço de 21 de maio, a OMS confirmou mais 49 casos e oito óbitos. Há ainda outros 160 casos suspeitos e 47 mortes possivelmente atribuídas ao vírus que passaram a integrar a lista da OMS nos últimos sete dias. Além disso, há um caso confirmado, um cidadão dos Estados Unidos, que havia tratado pacientes na República Democrática do Congo e atualmente recebe atendimento médico na Alemanha.
Em sua avaliação de ontem, a OMS continua a destacar as enormes dificuldades que as equipes de saúde estão enfrentando na província congolesa de Ituri, epicentro do surto, e na região vizinha de Kivu: deficiências no rastreamento de contatos e no acompanhamento, insegurança e insuficiência dos sistemas de isolamento, atendimento e encaminhamento de pacientes.
Ituri concentra 88% (110) dos casos confirmados. O maior número de casos confirmados na região é registrado em Bunia (37 casos), Rwampara (33 casos), Mongbwalu (20 casos) e Nyankunde (10 casos) Das 17 mortes entre os casos confirmados na República Democrática do Congo, 10 foram de homens (nove com mais de 15 anos e um com menos de 15) e sete foram de mulheres (cinco com mais de 15 anos e duas com menos de 15). Até 27 de maio, foram registrados 2.635 contatos nas províncias de Ituri e Kivu do Norte.
Rolando Gómez, chefe da Seção de Imprensa e Relações Externas do Serviço de Informação das Nações Unidas (UNIS) em Genebra, alertou que a crise é especialmente grave, incluindo relatos de 150 civis mortos somente na província de Ituri nos últimos dias
Em Uganda, desde a última atualização de 21 de maio, mais sete casos foram confirmados.
Até a última sexta-feira, foram notificados um total de nove casos confirmados, incluindo uma morte. Até 26 de maio, foi identificado um total de 436 contatos ligados aos casos, os quais estão sob acompanhamento.=
